Oportunidade para o nosso etanol

A indústria automobilística passa por uma crise em que fabricantes vêm perdendo milhares de dólares no valor de suas empresas em razão do escândalo de terem enganado governos e consumidores mundo afora sobre as reais emissões de CO2 dos automóveis. Se há um ponto em comum em todas as Posto Revendedoragendas dos diferentes países é o que inclui a redução das emissões de poluentes e gases de efeito estufa. Mesmo as grandes empresas petrolíferas, como as tradicionais ExxonMobill e Shell, têm declarado que seus planos de negócio cada vez mais refletem as preocupações com a política do clima.

Em 2015, veio à tona o caso da alemã Volkswagen, denunciada por ter instalado um software para manipular os resultados de emissões em milhões de veículos a diesel em todo o mundo, para que dessem a impressão de ser menos poluentes. O que parecia ser um problema restrito à Volkswagen logo atingiu outros fabricantes. A montadora japonesa Mitsubishi Motors admitiu ter exagerado sobre a eficiência do consumo de combustível de mais de 620 mil carros, alguns destes também construídos pela nipônica Nissan, e ainda se averigua a possibilidade de essas manipulações de resultados estarem ocorrendo desde 1991.

Estes casos de fraudes no consumo de combustíveis e reais emissões de poluentes por veículos automotivos, somados à maior importância da agenda ambiental, obrigarão as empresas a mudanças em suas tecnologias de motor e a uma maior utilização de combustíveis limpos. Não é à toa que o mundo já vive uma febre quanto aos carros elétricos e o fabricante Tesla e o seu fundador, Ellon Musk, são considerados uma espécie de nova Apple e ele, um novo Steve Jobs.

No Brasil há combustíveis que podem surfar nesta onda: o etanol e, até mesmo, o biodiesel. Para tanto, é preciso criar políticas públicas que incentivem a produção de biocombustíveis, em vez de ficar achando que o carro elétrico é uma grande solução para o Brasil. É a chance de o etanol brasileiro ocupar uma posição de destaque na matriz de combustível mundial.

Os veículos híbridos, como os flexfuel, e os puramente movidos a etanol são vantajosos por usarem um combustível renovável, limpo e autossustentável. O uso do etanol hidratado reduz a emissão de poluentes na atmosfera e é isento do nocivo material particulado fino causador de doenças respiratórias e de câncer.

O Brasil é um dos maiores produtores mundiais de etanol (o País ocupa a 2.ª posição do ranking liderado pelos EUA) e tem as vantagens comparativas de ter tecnologia, terra fértil, sol e água. O País, que já foi considerado a Arábia Saudita Verde, perdeu posição por causa de uma política errática de stop and go que só trouxe instabilidade regulatória e insegurança jurídica.

Na contramão do mundo, o governo brasileiro, após o anúncio das grandes reservas do pré-sal, passou a achar que a solução energética para o País estava exclusivamente ligada ao aumento da produção de uma energia poluente, velha e dinossáurica, o petróleo. Essa opção fez com que o governo implantasse no País uma desastrada política de subsídio aos preços da gasolina, que provocou a quebra de dois ícones brasileiros: a Petrobrás e o etanol.

Para que o País se aproveite da mudança que, obrigatoriamente, vai ocorrer na indústria automobilística é preciso estabelecer um planejamento de longo prazo, em que o preço do etanol reflita a sua vantagem ambiental. É preciso desvincular a política de preço da gasolina da do etanol. A política de preço da gasolina deve ser transparente, sem intervenções, de acordo com as tendências do mercado internacional. Do ponto de vista tributário, a gasolina deve ter seu preço acrescido de uma Cide que reflita o fato de ser mais poluente que o etanol e que seja alterada em razão do preço do barril de petróleo. Ou seja, quando o barril estiver baixo, como atualmente, a Cide deve ter um valor maior. Isso manteria a competitividade do etanol e, ao mesmo tempo, criaria um colchão para momentos em que o barril estivesse muito alto. Fica a sugestão para o governo.

Adriano Pires – Diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE)
Artigo extraído do jornal Estadão em 24/05/2016

Viva e deixe viver, sem os combustíveis fósseis

Para pedir o fim do legado de destruição que se repete em várias regiões do Brasil e praticamente todos os países, milhões de pessoas no mundo se mobilizam para dizer NÃO à indústria dos combustíveis fósseis.

oil_polution_shellAté o dia 15 de maio aconteceu o movimento global ‘LIBERTE-SE DOS COMBUSTÍVEIS FÓSSEIS’ (Break Free 2016) que pretende chamar a atenção para as mudanças climáticas causadas ao meio ambiente e às populações pela queima de carvão, gás e petróleo.O movimento global LIBERTE-SE defende a permanência no solo do carvão, petróleo e gás no subsolo e prevê ações diretas e pacíficas em vários países no mesmo período pedindo o desinvestimento em fósseis como única alternativa para conter as mudanças climáticas.

No Brasil, as ações estão sendo conduzidas pela 350.org Brasil em parceria com a COESUS – Coalizão Não Fracking Brasil e pela Sustentabilidade – Fundação Cooperlivre Arayara, Rede Paraense Evangélica de Ação Social, Fórum Ceará no Clima, Cáritas Regional Paraná e diversas entidades e organizações brasileiras.

Para saber mais detalhes e como participar basta acessar http://liberte-se.org/

Tentativa de reparo dos danos ambientais do derramamento recente de petróleo no Golfo do México, USA
Tentativa de reparo dos danos ambientais do derramamento recente de petróleo no Golfo do México, USA

Publicado por Observatório do Clima