Produtores do Nordeste esperam que a safra de cana-de-açúcar na região, que vai de setembro a abril, seja melhor que a anterior, em função da boa quantidade de chuvas nos meses que antecederam a colheita e do aumento sem precedentes nos níveis de fixação de contratos de açúcar.

Em relação à produção de etanol, a expectativa é de que os produtores priorizem a fabricação do etanol anidro em detrimento do hidratado, acompanhando a tendência de consumo de combustíveis na região desde o início da crise de Covid-19.

Muitas usinas planejam iniciar a moagem de cana ao longo das próximas semanas, enquanto algumas unidades na Paraíba, estado que historicamente começa antes, já se encontram em colheita. Até setembro, a previsão é de que todas as usinas tenham iniciado o processo de moagem.

Nos últimos três meses, período considerado por especialistas como fundamental para o desenvolvimento da cana, a quantidade de chuvas na região, especialmente em Pernambuco, foi muito maior do que no ano passado. Enquanto neste ano as precipitações no estado ficaram entre 200-700mm e atingiram praticamente todas as regiões, no mesmo período do ano passado, as chuvas em Pernambuco foram mais isoladas e ficaram entre 100-400mm, segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia.

“Em décadas, nunca choveu tanto na região. Foram precipitações bem distribuídas e sem ser torrenciais”, disse à Argus o presidente do Sindicato da Indústria de Fabricação de Álcool na Paraíba (Sindalcool), Edmundo Barbosa. “Agora se inicia uma temporada mais seca, que facilita a colheita. Acreditamos que a safra poderá ser maior que a do ano passado”, disse Barbosa. Na safra 2019-20, a região Nordeste processou 48,5 milhões de t de cana-de-açúcar, cerca de 9pc acima da temporada anterior.

A crise do Covid-19, no entanto, que exerceu forte impacto sobre o consumo de combustíveis, deve fazer com que mais produtores da região aumentem a participação do açúcar em detrimento do etanol no mix de produção.

De acordo com a consultoria Archer, as usinas brasileiras fixaram 900.000t de açúcar durante o mês de junho para embarque na safra 2021-22 que se inicia na região Centro-Sul em abril do ano que vem, chegando a um total de 4,2 milhões de t de açúcar já fixadas. Isso significa que, de uma estimativa de exportação total de 25 milhões de t para a safra do ano que vem, 16,8pc já está fixado – um volume sem precedentes pois “as usinas nunca se anteciparam desta forma para a fixação de uma safra seguinte”, apontou a Archer. Fontes de mercado ouvidas pela Argus estimam que a produção de açúcar na região Nordeste possa aumentar em até 10pc na comparação com a safra anterior.

Em relação ao etanol, participantes de mercado apontam a possibilidade de aumento da produção de anidro nos estados da região, já que o consumo de gasolina C no Nordeste tem sido mais resiliente que o de etanol hidratado desde o início da crise provocada pela pandemia.

O consumo de etanol hidratado apresentou forte queda no Nordeste no segundo trimestre, ficando em 202.290m³, 47pc abaixo do mesmo período no ano passado, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Já o consumo de gasolina apresentou queda menor, de 20pc, para 1,6 milhão de m³ no mesmo período.

Agentes de mercado estimam que a produção do aditivo poderá subir para até 1 milhão de m³ na temporada que se inicia em setembro, ante 814.000m³ produzidos na soma dos nove estados do Nordeste na safra 2019-20, enquanto a produção de hidratado tende a cair. A fabricação do biocombustível, que na safra passada atingiu 1,2 milhão de m³, poderia ficar em 1 milhão de m³ nesta safra.

Por Carolina Guerra / Argus direct

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