Poluição ambiental e a degradação da Saúde Pública

Atualmente já é sabido por boa parte da população que a poluição ambiental causa problemas de saúde, mas até que ponto isso é levado a sério? Segundo o patologista Paulo Saldiva, líder de um dos grupos de trabalho do Iarc, Agência Internacional de Pesquisa em Câncer, órgão ligado à OMS, “ter câncer de pulmão provocado pelo cigarro é, na verdade, uma exceção”.

“Metade da poluição das grandes metrópoles brasileiras vem de 10% da frota a diesel” — destaca ainda o patologista Paulo Saldiva,  “a maior fonte de emissão de poluentes no país, então, é o tráfego. A curto prazo não há remédio. Precisamos esperar a renovação de veículos e a troca de seu combustível para biocombustível. Também há evidências, embora menos sólidas, de que a exposição a materiais particulados levaria ao câncer de bexiga.”

Para Roberto de Almeida Gil, oncologista do Instituto Nacional de Câncer (Inca), os tomadores de decisão devem repensar seus modelos de desenvolvimento urbano. “Respirar provoca câncer. E é muito difícil prevenir a inalação destes poluentes. Como não podemos viver em redomas, é fundamental melhorar a qualidade do ar das cidades. Precisamos controlar com rigor as emissões de poluentes, restringindo a queima de combustíveis fósseis e observando o impacto ambiental da produção industrial”.

Chefe da Oncologia Clínica do Inca, Carlos José de Andrade acredita que “a conscientização das questões ambientais é um problema político: “É preciso assumir uma responsabilidade para minimizar a deterioração do ambiente. Um país onde não há uma política clara para reduzir a emissão de gases poluentes provavelmente terá mais registros de câncer de pulmão”.

Diante disso, percebe-se a necessidade de intervenções com urgência para que esse caos na saúde causado pela poluição seja sanado. Vale salientar que, no que diz respeito à poluição causada pela queima de combustíveis fósseis, o RenovaBio, programa do Governo Federal que tem por objetivo reduzir as emissões de gases do efeito estufa através do uso de biocombustíveis, se mostra uma iniciativa de longo prazo, porém bastante eficaz. Contudo, a preocupação permanece e o debate sobre esta problemática merece ainda mais atenção.

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