Integração na Abertura de Safra 2018/2019 da Japungu Agroindustrial

Cia Paraíba de Dramas e Comédias – Que o teu alimento não seja o teu tormento.

Quatro artistas e está feito o espetáculo! Mas o que isso tem a ver com o setor agroindustrial? Na Destilaria Japungu, absolutamente tudo! Há 15 anos, a cada abertura de Safra, os cerca de dois mil trabalhadores rurais apreciam um espetáculo teatral com a família na chamada “Integração dos Trabalhadores Rurais”. O objetivo é integrá-los à empresa antes de começar a safra. A mentora do projeto, Anunciação Lins, trabalhou na usina por 30 anos e ainda hoje, mesmo já aposentada, faz questão de também comparecer ao evento. Ela explica como surgiu a ideia: “Já fazíamos a integração há muitos anos, mas só com palestras, e estava ficando saturado, então numa reunião com a diretoria me pediram algo mais dinâmico e eu propus o teatro, que é bem lúdico.” Deu certo! Nos últimos 15 anos, a Companhia Paraíba de Dramas e Comédias, hoje com os atores Joelton Barros, Mariana Petite e Ayme Vasconcelos, além do diretor-autor e também ator, Erivan Lima, se apresenta na Japungu.

Praticidade e benefícios da horta vertical.

A cada ano é abordado um tema diferente e já subiram ao palco temáticas como: Segurança do Trabalho, Uso de Álcool e outras Drogas, Violência contra a Mulher e até A importância do Uso do Protetor Solar, entre outras. Em 2018 o tema escolhido foi “Alimentação Saudável” e o dia começou com apresentação preparada pela nutricionista Alyne Monteiro, distribuição de sementes de coentro e explicação sobre a horta vertical, culminando com o espetáculo “Que o teu alimento não seja o teu tormento”.

Nutricionista Alyne Monteiro exemplificando e explicando o que é uma alimentação mais saudável.

Alyne explica o motivo de se tratar deste assunto: “A saúde dos trabalhadores foi avaliada e muitos deles estavam com hipertensão e glicemia alta, então viemos trazer sugestões para que eles façam pequenas mudanças no dia a dia, sem muitas restrições, mas visando principalmente a prevenção de algumas doenças crônicas.”

Receitas simples e úteis.

Pronto! Aí estava o mote escolhido em reunião pela diretoria, e para escrever a peça Erivan buscou inspiração nas diversas visitas que fez a trabalhadores e suas famílias no horário de almoço: “Tinha trabalhador que levava para a lida o alimento solto numa sacola, preparado na noite anterior e tudo misturado. Fui visitá-los com a nutricionista, ela tirou fotos, deu orientações, montou a apresentação dela e preparou o livreto com dicas e receitas que entregamos hoje a eles.” Da mesma forma, ele retirou dessa realidade as ideias para o texto do espetáculo tão esperado por cortadores de cana, suas esposas e filhos. D. Neuza Ferreira, esposa de S. Marcos José, trabalhador da Usina há 33 anos, fala com entusiasmo: “Esse é um momento muito importante, porque a família deixa o seu fazer em casa e tem um dia de lazer, a gente espera o ano todo”. O esposo, líder dos trabalhadores de Alagoa Grande, completa: “Isso incentiva os trabalhadores e as mulheres, que ficam conhecendo tudo do trabalho do marido.”

Além do livreto com receitas, entrega de brindes: sementes, e sacola para compras.

Josebias França, técnico agrícola e coordenador de mão de obra rural, lembra que a integração acontece durante os dois turnos: de manhã, apresentação da nutricionista e teatro com a família, e à tarde, informações, só para os trabalhadores, sobre EPI’s (equipamentos de proteção individual) e segurança do trabalho. Ele comemora o relacionamento aberto que se estabeleceu dentro da empresa onde, se precisar, o trabalhador rural pode falar diretamente com o patrão e o gerente: “No fim do período de safra todos eles são ouvidos, nós os avaliamos e eles nos avaliam, usamos isso para melhorar. Hoje além dos EPI’s, nós fornecemos ferramentas, transporte, água e uma área de vivência no campo”.

Toda essa dedicação traz bons resultados. O engenheiro agrônomo Dante Guimarães, gerente de tratos culturais e plantio, explica: “Em primeiro lugar, tentamos resgatar a profissão do cortador de cana, porque sempre foi discriminada, em segundo lugar, buscamos humanizar este trabalhador, pois se ele está bem inclusive na família, vai estar bem no trabalho. Veja, antes de começarmos este trabalho, a nossa média de produtividade era de 4 toneladas por cortador/dia e o índice de frequência era abaixo de 80%. Com a implementação desse trabalho de educação, todas essas informações e investimentos, no ano passado nós chegamos a um índice de frequência de 98% e a produtividade perto de 8 toneladas por cortador/dia. Além disso tudo temos a satisfação de ver o resgate da autoestima deles, até no modo de se vestir. É muito gratificante!”

Durante uma semana, nos 2 turnos, um público de quase 2 mil pessoas.

A julgar pelos sorrisos entre os presentes, parece mesmo ser gratificante para ambos os lados. Que todos os dias desta safra 2018/2019 sejam tão produtivos quanto foi o dia de hoje na Usina Japungu!

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