Ambientalismo: abraçamos esta causa.

A campanha da Organização Mundial de Saúde contra a poluição do ar é contínua, e o Sindalcool apoia esta causa. O presidente executivo do sindicato, Edmundo Barbosa, conversou recentemente sobre este assunto com a ex-ministra do Meio Ambiente, Izabella Mônica Teixeira, ativa ambientalista que trabalha nas Nações Unidas, Co-Chair International Resource Panel – UN Enviroment-ONU.

Segundo Edmundo Barbosa ficou claro que “estão sendo estabelecidas as metas compulsórias para as distribuidoras de combustíveis, pela ANP. Se essas metas forem mais firmes o programa terá maior celeridade. Como se sabe as empresas que gravitam em torno da Petrobras como empresa dominante tem mantido forte concentração de mercado. O volume de particulado e a qualidade do ar nas cidades é assunto ainda pouco discutido. A campanha da Organização Mundial da Saúde é uma boa contribuição, embora pouco conhecida dos stakeholders. O nosso objetivo é consolidar o reconhecimento das externalidades dos biocombustíveis através do fortalecimento do mercado de Certificados de Biocombustíveis como um embrião do mercado de carbono, e trazer para o Brasil investidores institucionais interessados nesse mercado”.

A preocupação com o impacto da poluição do ar levou governos e autoridades locais em todo o mundo a regular, entre outras coisas, a queima de combustíveis fósseis, a efluência industrial, a fumaça do cigarro e os aerossóis. Esta legislação tem frequentemente seguido conclusões dramáticas sobre o impacto da poluição na saúde humana. Ao mesmo tempo, ocorreram desenvolvimentos significativos em nossa capacidade de detectar e quantificar poluentes e uma proliferação de redes urbanas e rurais de poluição do ar para monitorar os níveis de contaminação atmosférica.

No link abaixo você pode conferir a campanha global por ar limpo e até saber como o ar da sua cidade está afetando você:

http://breathelife2030.org/pt/

ANP aumenta as exigências de transparência na formação de preços por Petrobras, distribuidores e importadores

O diretor-geral da ANP, Décio Oddone, durante o “Seminário de Avaliação do Mercado de Combustíveis 2019” deixou claro que o aumento de margens na distribuição e na revenda, além do aumento de impostos nos últimos anos, exauriu a capacidade de pagamento dos consumidores, como justificativa para a estagnação do mercado.

Oddone quer que o consumidor seja respeitado, por esta razão o foco é uma maior transparência na formação de preços dos combustíveis.

De acordo com o presidente executivo do Sindalcool, Edmundo Barbosa, “isto tudo tem um significado profundo: a ANP quer estimular a transparência para alcançar maior competição nesse mercado e com isto a redução dos preços aos consumidores finais”.

Este também é um dos objetivos do RenovaBio, que conta com todo o apoio da ANP e estimulará uma maior produtividade, além de maior eficiência ambiental e econômica.

As usinas na Paraíba começaram a se preparar para a certificação do RenovaBio e Edmundo Barbosa explica: “isto vai trazer muitos ganhos de gestão e maior competitividade. Estamos agora trabalhando pelo mercado de CBIOs, os certificados de biocombustíveis que serão negociados a partir de janeiro do próximo ano. Contudo, ainda existe muito desconhecimento sobre a importância dessa política nacional de biocombustíveis”.

Com a presença do primeiro escalão do governo federal, novo presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária tomou posse na última semana

Na noite da terça-feira (19/02/19), o deputado Alceu Moreira (MDB-RS), recebeu da ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, o cargo de presidente do colegiado e passou a comandar a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) no ano de 2019. A cerimônia de posse da nova diretoria, em Brasília, composta por 26 parlamentares, foi cercada de autoridades, entre elas, o presidente da República Jair Bolsonaro, o vice Hamilton Mourão e o ministro da Economia, Paulo Guedes.

A ministra lembrou dos desafios que enfrentou enquanto esteve à frente da bancada, em 2018, e afirmou que o agropecuária continua sendo o motor da economia do país. “São homens e mulheres que trabalham incansavelmente pela agricultura”, disse. A ex-presidente reafirmou a importância da Frente Parlamentar da Agropecuária. “A Frente mudou o destino do país quando, lá atrás, resolveu deixar de ser setorial e se uniu para também fazer política. Essa frente é sui generis: não existe outra como a FPA”.

O presidente Bolsonaro definiu a agropecuária como a locomotiva da economia do país. “São homens e mulheres responsáveis pelo nosso PIB”, discursou, enfatizando ainda as dificuldades enfrentadas pelos produtores: “Não é fácil, são desafios, trabalho de sol a sol, de segunda a segunda. Contem com alguém que está ao lado de vocês para que possam ter a devida segurança jurídica para poder plantar e produzir”.

Entre os presentes, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, entidades representativas do setor produtivo nacional, governadores, e mais de 200 parlamentares do Congresso Nacional. O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e o presidente executivo do Sindalcool/PB, Edmundo Barbosa, também participaram do evento.

FONTE: Site FPA

Ministro de Minas e Energia encerrou seminário sobre futuro da matriz veicular

O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, fez hoje dia 21 de fevereiro de 2019 o encerramento do seminário “Futuro da Matriz Veicular no Brasil”, realizado pela ANP no Rio de Janeiro. O encontro reuniu especialistas para discutir a convivência entre os biocombustíveis e a eletricidade como fontes de energia para os veículos brasileiros.

No primeiro dia, foi abordado o futuro da matriz veicular no mundo, as macrotendências de mobilidade, o impacto da eletrificação veicular na matriz já existente no país, bem como os desafios à eletromobilidade no Brasil. No segundo dia, o tema das discussões foi o melhor caminho para o país em relação aos biocombustíveis e aos veículos elétricos e também o que é preciso definir em termos de políticas de governo e sob a ótica regulatória.

Participaram do seminário o diretor-geral da ANP, Décio Oddone, e os diretores Aurélio Amaral e Dirceu Amorelli, além de superintendentes e técnicos da Agência.

FONTE: Site ANP

Jovem sueca de 16 anos chama a atenção do mundo pelo ativismo em prol do meio ambiente e consegue garantia da União Europeia de investimento de US$ 1 trilhão no clima.

O verão pode não ser feito por uma só andorinha, como diz o ditado, mas a história da jovem Greta Thunberg nos mostra que ele pode ser iniciado assim e depois tomar grandes, surpreendentes e benéficas proporções.

https://mundosustentavel.com.br/podcast/o-nome-dela-greta-ouca-o-podcast/
Ouça a história acima e conheça um pouco mais da conquista https://mundosustentavel.com.br/podcast/o-nome-dela-greta-ouca-o-podcast/de Greta.

Do alto de seus 16 anos, Greta já conseguiu mais do que muitos adultos e líderes mundiais. A jovem ativista, que iniciou um movimento que se tornou global, a greve pelo clima, esteve esta semana na Bélgica, discursando perante a Comissão Europeia, acompanhada de estudantes belgas e alemães.

“O sistema político atual é baseado em competição. Tudo o que importa é ganhar para conseguir mais poder. Isso precisa acabar. Devemos parar de competir, uns com os outros, e cooperar. Trabalhar juntos e compartilhar os recursos naturais do planeta de maneira justa”, disse Greta, em Bruxelas.

“Temos que proteger a biosfera, os seres vivos, os oceanos, o solo e as florestas. Isso pode parecer ingenuidade, mas se vocês (políticos) tivessem feito sua lição de casa, saberiam que não temos outra escolha. Precisamos focar nas mudanças climáticas. Porque se falharmos em combatê-la, todas nossas conquistas e progressos não valerão nada. E o que restará de legado de nossos líderes políticos será o maior fracasso da humanidade”.

A jovem acusou a classe política de desperdiçar décadas ao negar as evidências cientíticas sobre o aquecimento global. Ela cobrou uma meta mais ambiciosa da União Europeia na redução da emissão de gases de efeito estufa. Os países do continente se comprometerem em diminuir em 40% suas emissões até 2030, mas isso não seria suficiente para tentar limitar o aumento da temperatura da Terra a, no máximo, 1,5oC, até o final do século.

“Não há mais tempo… Essa meta não é suficiente para proteger o futuro das crianças que nascem hoje”, alertou Greta.

Depois do discurso da adolescente, o presidente da Comissão Europeia Jean-Claude Juncker afirmou que US$ 1, 13 trilhão do orçamento do próximo período financeiro da comunidade (2021 – 2027) será usado em programas de mitigação às mudanças climáticas.

FONTE: Conexão Planeta

Ministro de Minas e Energia destaca etanol como alternativa para a eletrificação veicular

Em discurso na tarde de ontem (21) ao término do Seminário “O Futuro da Matriz Veicular no Brasil”, promovido pela ANP no Rio de Janeiro, o Ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque enalteceu o papel fundamental dos biocombustíveis como alternativa para a descarbonização do planeta, que em sua visão “é uma tendência irreversível”.

“Apesar da tecnologia de eletrificação das plataformas veiculares parecer um caminho sem volta, a utilização de uma modernização baseada puramente em baterias não deve ser considerada como única trajetória a ser seguida. A inovação do veículo elétrico puro da forma como vem sendo proposto por alguns países detentores desse conhecimento, ainda apresenta árduos desafios em pesquisa e desenvolvimento para sua disponibilização em larga escala e a preço competitivo, até que se possa dispor de uma tecnologia viável, aplicável em larga escala, com o menor gasto possível em infraestrutura de disposição de energia, há que se trilhar um percurso que leve em conta as limitações e a vocação de nossa economia”, destacou Bento Albuquerque.

Ainda segundo o Ministro, “em breve o Brasil poderá contar com um modelo de veículo híbrido flex utilizando etanolhidratado, cujo lançamento ocorreu no final do ano passado. Com esta modernização teremos em circulação o veículo automotivo mais limpo do mundo, de acordo com cálculos da Associação de Engenharia Automotiva, atualmente esse modelo emite 1/3 da descarga de CO2 do veículo elétrico europeu”, explicou o Ministro do MME.

Em seu discurso Bento Albuquerque também enalteceu o papel fundamental do RenovaBio para que o país possa oferecer uma matriz nacional de política energética mais limpa, com “previsibilidade de mercado e investimentos em expansão da produção de biocombustíveis, uma das prioridades do governo”.

Ao final de seu discurso oficial, o Ministro sugeriu alguns desafios à plateia formada, quase que em sua totalidade, por autoridades nos setores de energia, “proponho o desafio de buscarmos outras soluções para a eletrificação das plataformas veiculares como por exemplo a viabilização econômica da célula a combustível etanol com a gás natural, o carro elétrico utilizando etanol ou gás natural como fonte de energia com relevantes vantagens competitivas, de conciliar a eficiência dos motores elétricos e a vocação nacional para a produção de biocombustíveis, de solucionar a problemática associada ao tempo de recarregamento de baterias, de constituir a solução mais limpa para a descarbonização da matriz energética e de renunciar vultosos investimentos em expansão da infraestrutura de geração e distribuição de energia elétrica, por utilizar os meios já existentes para a disponibilização de combustíveis líquidos, nos 42 mil postos de combustíveis no País”.

Para o presidente da UDOP, a visão apurada do governo recém empossado, demonstra que o Brasil caminha para ter uma matriz energética cada vez mais limpa e renovável. “São passos e sinalizações muito importantes para o País, pois temos, pela primeira vez, um horizonte previsível para nosso setor, através da consolidação do RenovaBio e suas metas, que vão alçar nosso segmento sucroenergético a novos patamares no médio e longo prazo”, destacou Amaury Pekelman.

POR: Rogério Mian
Fonte: Agência UDOP de Notícias

Biocombustíveis ganham destaque na matriz energética brasileira, diz AIE

O Brasil tem a matriz energética menos poluente entre os maiores consumidores globais no mercado de combustíveis. Segundo relatório divulgado pela AIE (Agência Internacional de Energia), o País é o que tem maior participação de fontes renováveis no setor e deve somar 45% até 2023, principalmente em função da bioenergia e da hidroeletricidade.

De acordo com o diretor executivo da AIE, Faith Birol, o Brasil é a “estrela ascendente no uso sustentável de energia”. O País tem se destacado no acúmulo de investimentos em biocombustíveis e pode servir de inspiração para outros países, que deveriam cumprir os compromissos do Acordo de Paris (tratado que rege medidas de redução de emissão de dióxido de carbono a partir de 2020, com o objetivo de combater as mudanças climáticas).

A previsão é de que no Brasil, a Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio), regulamentada este ano, pode fortalecer as bases econômicas na produção de biocombustíveis e acelerar investimentos no setor e na produção de usinas.

A tendência é que outros países também se adaptem às políticas de energia sustentável.

Segundo levantamento feito pela AIE, a bioenergia moderna (etanol e biodiesel) representou 50% do consumo energético global de origem sustentável no ano passado, sendo quatro vezes mais que as fontes solar fotovoltaica e eólica combinadas. Em projeção feita pela Agência, a bioenergia deve permanecer como a principal fonte de energia renovável em 2023.

Por: Panorama Offshore – 20/02/2019

CBios: ativos mobiliários no Brasil

Neste mês de Fevereiro a ANP deve publicar as metas compulsórias que deverão promover maior valorização do etanol e os biocombustíveis através do RENOVABIO. A cada ano as usinas produtoras certificadas poderão emitir CBIOS  em quantidade proporcional à diferença entre a nota de sustentabilidade alcançada, pelo volume de etanol produzido. Os certificados de biocombustíveis CBIOS, são ações que passarão a ser comercializadas na Bolsa de Valores de São Paulo. As distribuidoras de combustíveis deverão cumprir as metas compulsórias para a descarbonização nos próximos dez anos e redução das emissões de CO2 e outros gases de efeito estufa do diesel e da gasolina. Com isto as distribuidoras passarão a colaborar para o aumento da eficiência ambiental e econômica da produção de biocombustíveis. Desse modo o Brasil vem sendo cada vez mais admirado no exterior por seu vigoroso programa de cumprimento das metas da COP21 a partir de 2020. O mercado financeiro mundial vem crescendo na área de energia renovável e redução de emissões.

 Na União Europeia os mercados de carbono estão em crescimento, servindo de exemplo para os Estados Unidos e o Brasil. Multinacionais estrangeiras estão na vanguarda do comércio de créditos de carbono, incentivando o Brasil a buscar novos mercados, inclusive com certificados CBios.

Foi um ano interessante para vários mercados de carbono e REC dos EUA. Os preços futuros de carbono da RGGI variaram de um mínimo de US $ 3,90 a um máximo de US $ 5,55, um preço alto notável nos últimos anos. Os preços do carbono da Califórnia permaneceram em um intervalo apertado de US $ 14,99 a US $ 15,65. Enquanto isso, os mercados de REC mais líquidos também mostraram faixas de preço variadas nas safras do mês anterior, com o New Jersey Solar variando de US $ 207,25 a US $ 243,51 em 2018, e o PJM Tri-Qualified RECs variando de US $ 5,05 a US $ 8,04 durante o ano.

Há boas razões para otimismo sobre os mercados dos EUA nos próximos meses também. No Brasil o mercado de comércio dos créditos de carbono está em pleno desenvolvimento.

Separadamente, um novo mercado de cap-and-trade também foi anunciado em dezembro de 2018 pela Transportation and Climate Initiative (TCI) que inclui nove estados do Nordeste dos EUA. É muito cedo para o conceito, e a TCI pretende completar sua proposta até o final do ano.

Em suma, os mercados estaduais e regionais dos EUA têm um impulso político e estão no caminho para ampliar suas bases. Com bases fundamentais para os mercados, 2019 pode ser outro ano forte também. O Esquema de Comércio de Emissões da União Européia mostrou no ano passado, que os mercados de carbono estão atraindo maior interesse por uma ampla gama de participantes do mercado, inclusive o Brasil.


Evento do Sindalcool/PB com representantes da Embrapa é mais um passo em direção ao RenovaBio


“O RenovaBio valoriza a eficiência e a eficiência de produção significa eficiência de custo e tem um viés ambiental que é extremamente importante porque hoje isso não é uma questão de marketing, mas de mercado de carbono que é uma nova moeda que a gente tem disponível e vai gerar muitos recursos para o setor produtivo que estiver preparado para saber lidar com essa situação”. Foi com essa afirmativa que o Chefe Geral da área de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Meio Ambiente, Marcelo Morandi, abriu sua fala durante um encontro, em João Pessoa, nesta quarta-feira (06). O evento foi promovido pelo Sindicato da Indústria de Fabricação de Álcool no Estado da Paraíba (Sindalcool), com apoio da Associação dos Plantadores de Cana da Paraíba (Asplan).

Segundo explicou Marcelo Morandi, o RenovaBio é uma política que estabiliza o mercado, que valoriza a eficiência de produção, não é uma certificação ou um processo simplesmente para ganhar um selo e também não muda o mercado físico de Etanol. “Com o RenovaBio o mercado continua tendo o produtor de cana, a usina, o fornecedor, o distribuidor de etanol, os postos, o consumidor. O que nós criamos com o programa é a possibilidade de ter um outro mecanismo de renda neste processo todo. Quem estiver preparado e entrar neste mercado vai continuar produzindo e comercializando o etanol, mas com a vantagem de gerar um outro ativo financeiro que é o crédito de carbono”, disse ele.

O crédito de carbono, segundo o especialista, está muito relacionado à confiabilidade do sistema de produção. “É isso que permite que o Renovabio tenha um potencial de, de fato, fazer a diferença não só no mercado interno, mas ter uma influência no mercado externo, no sentido de mostrar que esse mercado de carbono é eficiente e real. Para isso era preciso ter uma metodologia de medir isso para poder gerar esse crédito de descarbonização”, afirmou Marcelo.

 Esse crédito de descarbonização, segundo o representante da Embrapa,  é aferido a partir de uma metodologia denominada ‘Análise do Ciclo de Vida’, que faz uma contabilidade ambiental de todo o processo de produção, ou seja, contabiliza tudo do berço a roda, comparando desde a extração do petróleo para gerar a gasolina ou o óleo diesel, até quando ele é colocado no tanque do veículo e queimado, como desde a produção dos insumos que  serão usados para plantar cana, fertilizantes, insumos, etc, até que esse etanol vá para o tanque do carro e seja queimado. Esse comparativo é basicamente o que a RenovaCalc faz.

 A calculadora denominada Renovacalc é quem vai medir e contabilizar tudo, a partir de um conjunto de parâmetros que são importantes e vão influenciar a nota da empresa com capacidade de produção de um biocombustível com menor capacidade de efeito estufa, seja ele produtor ou usina. Ambos, de acordo com a explanação de Marcelo, terão acesso e conseguirão fornecer as informações para efeito de cálculo de eficiência. “A calculadora é um processo de contabilidade ambiental que calcula a nota de eficiência do processo. Para mostrar que meu processo é eficiente, eu tenho que ter a organização das informações. Esse é um ponto importantíssimo do RenovaBio porque ele traz a possibilidade dos produtores também se familiarizarem no sentido de ter um maior controle de seu processo de produção, seja ele usina ou fornecedor de cana. Esse é um ganho que esse processo traz”, explicou a Dra. Nilza Patrícia Ramos, pesquisadora da Embrapa, que junto com Marcelo participou do encontro, em João Pessoa, que reuniu produtores de cana, industriais e pesquisadores de universidades.

Eles explicaram também que a emissão de CO² do combustível fóssil está muito concentrada na queima do motor, porque a extração do petróleo, o refino e a distribuição tem uma emissão de particulados relativamente menor. A grande emissão está na queima dele. O biocombustível é o contrário, pois na queima do veículo a emissão é pequena, a emissão maior está no processo de produção, desde a fase agrícola até a industrial, principalmente, na fase agrícola. E um fator importantíssimo no processo de emissão de gases do efeito estufa pelo biocombustível é a mudança de uso da terra, ou seja, o processo de uso do solo, é onde está a grande emissão da produção de biocombustível, por isso o RenovaBio traz alguns critérios chamados de elegibilidade.

Entre os critérios de elegibilidade, que vão assegurar a emissão de créditos de carbono, destaca-se a necessidade da matéria-prima vir de uma área regularizada. Quem quer entrar no programa deve estar regularizado no CAR. A produção da biomassa que vai virar biocombustível e gerar créditos de descarbonização não pode suprimir vegetação nativa. “Você não pode querer ganhar um crédito de descarbonização numa área que acabou de desmatar. Isso é uma incoerência muito grande porque a maior emissão no caso de biocombustíveis está na origem do uso do solo”, disse Morandi, lembrando que no caso da cana, há ainda um terceiro critério de elegibilidade para que se entre no Programa, que é a exigência do zoneamento agroecológico que evita que se plante cana em áreas inadequadas ao plantio. “Esses três critérios é que asseguram que o processo de produção vai gerar, mais na frente, um indicativo de confiabilidade para que se que possa emitir um crédito de descarbonização, que será um ativo financeiro que será comercializado no mercado”, explicou Marcelo.

De acordo com a Dra. Nilza, o RenovaBio é um programa voluntário, com a menor participação possível do estado, que incentiva a sociedade a tomar parte de um processo que interessa ao mundo todo, que vai reconhecer o desempenho destas empresas que vão procurar esse crédito, levando a uma maior eficiência. Mas para participar do Programa é preciso passar por algumas etapas. A primeira é fazer um contrato de certificação de biocombustíveis entre a firma inspetora que vai fazer a auditoria e a usina produtora do biocombustível; segundo essa firma inspetora vai fazer um projeto e explicar como serão os processos à ANP e depois fazer as auditorias in loco (com base em amostragens), e depois das auditorias esses dados serão colocados em consulta pública. “Os dados que estão no RenovaCalc serão públicos para que a sociedade possa verificar que aquela nota não é fraudada.”, disse a representante da Embrapa, lembrando que há várias planilhas que a empresa deverá preencher. Ainda segundo ela, quem vai receber a certificação é a usina, assim como quem vai apresentar todos os dados, já que é ela quem vai ter que contratar o Programa. Entre os dados que terão que ser apresentados, estão a área queimada, qual o consumo de calcário e gesso, quais os fertilizantes usados e combustível utilizado.

Em relação especificamente à produção na Paraíba “as empresas ligadas ao Sindalcool iniciaram na semana passada a preparação para a Certificação do RenovaBio. Com isto, estas empresas terão CBIOs como mais uma receita em dezembro/19 para o início do programa”, destacou Edmundo Barbosa, presidente executivo do Sindalcool.

(Colaboração: Assessoria de Imprensa da ASPLAN)

Etanol e veículos flex-fuel: possibilidade de escolha e a economia efetiva aos consumidores


Por Luciano Rodrigues – Gerente de economia e análise setorial da UNICA

O mercado brasileiro de combustíveis leves apresenta característica única no mundo. Não há outro País com uma frota de quase 5 milhões de motocicletas e 30 milhões de veículos aptos a utilizarem qualquer combinação entre gasolina e etanol hidratado. Lançada em março de 2003, a tecnologia flex-fuel rapidamente se consolidou no Brasil e hoje está presente em 46% das motocicletas e 96% dos automóveis novos comercializados domesticamente.

Associa-se a essa singularidade, o pioneirismo brasileiro no desenvolvimento e uso do etanol combustível, com vasta experiência na produção, além de logística de distribuição e infraestrutura que garantem a oferta do biocombustível nos postos revendedores em todo o território nacional.

Essas características oferecem ao consumidor brasileiro uma opção privilegiada: a possibilidade de escolher o combustível desejado a cada abastecimento, dependendo do preço relativo dos produtos e de suas preferências. Trata-se de uma condição que não encontra paralelo em nenhuma outra nação do globo.

A possibilidade de escolha garante maior competição e, a partir de mecanismos de mercado, reduz o risco de preço dos combustíveis aos proprietários de veículos flexíveis. Dito de outra maneira, essa condição oferece uma proteção estrutural ao consumidor diante das variações no valor da gasolina.

Os preços do etanol e da gasolina no mercado doméstico são determinados por inúmeros fatores inerentes as particularidades de cada setor. No caso do etanol, se destacam a estrutura produtiva pulverizada e competitiva, o maior tempo de resposta da oferta, o impacto de fatores climáticos e biológicos na produção, a sazonalidade da oferta durante os períodos de safra e entressafra, entre outros aspectos presentes nos mercados de commodities agrícolas. A gasolina, por sua vez, apresenta valor definido a partir de uma estrutura altamente concentrada, com influência das mudanças na taxa de câmbio e nas condições no mercado internacional de petróleo, especialmente após a nova política de preços praticada domesticamente.

É nesse contexto complexo, com múltiplos fatores inter-relacionados determinando os preços dos produtos, que o consumidor nacional pode aproveitar as variações nos valores de bomba para auferir economia em seus gastos com combustíveis. Aproveitando-se dessa dinâmica, o proprietário de veículo flex pode optar pelo biocombustível toda vez que o preço relativo entre hidratado e gasolina for inferior ao diferencial de rendimento dos dois produtos (razão entre a quantidade de quilômetros percorridos com cada combustível).

Com efeito, em 2018 a liberdade de escolha do combustível propiciou uma economia próxima de R$ 6,5 bilhões aos consumidores brasileiros. Essa estimativa considera o menor gasto por quilômetro rodado toda vez que o preço do etanol hidratado se situa abaixo de 73% do valor praticado para a gasolina – estudos de campo indicam que esse percentual reflete o diferencial médio rendimento dos combustíveis na frota nacional operando em condições reais.

Em 14 das 27 unidades da Federação, os consumidores locais usufruíram desses ganhos, com destaque para os Estados de São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e Paraná, que concentraram 98% da economia total (Figura 1). Cabe mencionar que esses Estados representam 55% da frota de veículos leves no País e apresentam uma política tributária que reconhece os benefícios sociais, econômicos e ambientais dos biocombustíveis.

No acumulado desde 2003, ano de lançamento dos veículos bicombustíveis, a economia advinda da presença do etanol no mercado nacional alcançou quase R$ 65 bilhões (Figura 2). 
Esse montante equivale a 1% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro que deixou de ser gasto com a compra de combustível e foi empregado na aquisição de outros produtos, com efeito multiplicador significativo na ativação da economia nacional.

Esses números evidenciam a importância da preservação e consolidação do etanol na matriz nacional, com economia expressiva aos consumidores de combustíveis, além dos já conhecidos efeitos positivos na geração de empregos, na interiorização do desenvolvimento, na redução dos gastos com saúde pública, na redução do déficit na balança comercial dos derivados e na mitigação das emissões de gases causadores do efeito estufa.


*Coautor José Guilherme de Oliveira Belon, economista pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas). É analista econômico na UNICA e pós-graduando em economia pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).