Biocombustíveis ganham destaque na matriz energética brasileira, diz AIE

O Brasil tem a matriz energética menos poluente entre os maiores consumidores globais no mercado de combustíveis. Segundo relatório divulgado pela AIE (Agência Internacional de Energia), o País é o que tem maior participação de fontes renováveis no setor e deve somar 45% até 2023, principalmente em função da bioenergia e da hidroeletricidade.

De acordo com o diretor executivo da AIE, Faith Birol, o Brasil é a “estrela ascendente no uso sustentável de energia”. O País tem se destacado no acúmulo de investimentos em biocombustíveis e pode servir de inspiração para outros países, que deveriam cumprir os compromissos do Acordo de Paris (tratado que rege medidas de redução de emissão de dióxido de carbono a partir de 2020, com o objetivo de combater as mudanças climáticas).

A previsão é de que no Brasil, a Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio), regulamentada este ano, pode fortalecer as bases econômicas na produção de biocombustíveis e acelerar investimentos no setor e na produção de usinas.

A tendência é que outros países também se adaptem às políticas de energia sustentável.

Segundo levantamento feito pela AIE, a bioenergia moderna (etanol e biodiesel) representou 50% do consumo energético global de origem sustentável no ano passado, sendo quatro vezes mais que as fontes solar fotovoltaica e eólica combinadas. Em projeção feita pela Agência, a bioenergia deve permanecer como a principal fonte de energia renovável em 2023.

Por: Panorama Offshore – 20/02/2019

CBios: ativos mobiliários no Brasil

Neste mês de Fevereiro a ANP deve publicar as metas compulsórias que deverão promover maior valorização do etanol e os biocombustíveis através do RENOVABIO. A cada ano as usinas produtoras certificadas poderão emitir CBIOS  em quantidade proporcional à diferença entre a nota de sustentabilidade alcançada, pelo volume de etanol produzido. Os certificados de biocombustíveis CBIOS, são ações que passarão a ser comercializadas na Bolsa de Valores de São Paulo. As distribuidoras de combustíveis deverão cumprir as metas compulsórias para a descarbonização nos próximos dez anos e redução das emissões de CO2 e outros gases de efeito estufa do diesel e da gasolina. Com isto as distribuidoras passarão a colaborar para o aumento da eficiência ambiental e econômica da produção de biocombustíveis. Desse modo o Brasil vem sendo cada vez mais admirado no exterior por seu vigoroso programa de cumprimento das metas da COP21 a partir de 2020. O mercado financeiro mundial vem crescendo na área de energia renovável e redução de emissões.

 Na União Europeia os mercados de carbono estão em crescimento, servindo de exemplo para os Estados Unidos e o Brasil. Multinacionais estrangeiras estão na vanguarda do comércio de créditos de carbono, incentivando o Brasil a buscar novos mercados, inclusive com certificados CBios.

Foi um ano interessante para vários mercados de carbono e REC dos EUA. Os preços futuros de carbono da RGGI variaram de um mínimo de US $ 3,90 a um máximo de US $ 5,55, um preço alto notável nos últimos anos. Os preços do carbono da Califórnia permaneceram em um intervalo apertado de US $ 14,99 a US $ 15,65. Enquanto isso, os mercados de REC mais líquidos também mostraram faixas de preço variadas nas safras do mês anterior, com o New Jersey Solar variando de US $ 207,25 a US $ 243,51 em 2018, e o PJM Tri-Qualified RECs variando de US $ 5,05 a US $ 8,04 durante o ano.

Há boas razões para otimismo sobre os mercados dos EUA nos próximos meses também. No Brasil o mercado de comércio dos créditos de carbono está em pleno desenvolvimento.

Separadamente, um novo mercado de cap-and-trade também foi anunciado em dezembro de 2018 pela Transportation and Climate Initiative (TCI) que inclui nove estados do Nordeste dos EUA. É muito cedo para o conceito, e a TCI pretende completar sua proposta até o final do ano.

Em suma, os mercados estaduais e regionais dos EUA têm um impulso político e estão no caminho para ampliar suas bases. Com bases fundamentais para os mercados, 2019 pode ser outro ano forte também. O Esquema de Comércio de Emissões da União Européia mostrou no ano passado, que os mercados de carbono estão atraindo maior interesse por uma ampla gama de participantes do mercado, inclusive o Brasil.


Evento do Sindalcool/PB com representantes da Embrapa é mais um passo em direção ao RenovaBio


“O RenovaBio valoriza a eficiência e a eficiência de produção significa eficiência de custo e tem um viés ambiental que é extremamente importante porque hoje isso não é uma questão de marketing, mas de mercado de carbono que é uma nova moeda que a gente tem disponível e vai gerar muitos recursos para o setor produtivo que estiver preparado para saber lidar com essa situação”. Foi com essa afirmativa que o Chefe Geral da área de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Meio Ambiente, Marcelo Morandi, abriu sua fala durante um encontro, em João Pessoa, nesta quarta-feira (06). O evento foi promovido pelo Sindicato da Indústria de Fabricação de Álcool no Estado da Paraíba (Sindalcool), com apoio da Associação dos Plantadores de Cana da Paraíba (Asplan).

Segundo explicou Marcelo Morandi, o RenovaBio é uma política que estabiliza o mercado, que valoriza a eficiência de produção, não é uma certificação ou um processo simplesmente para ganhar um selo e também não muda o mercado físico de Etanol. “Com o RenovaBio o mercado continua tendo o produtor de cana, a usina, o fornecedor, o distribuidor de etanol, os postos, o consumidor. O que nós criamos com o programa é a possibilidade de ter um outro mecanismo de renda neste processo todo. Quem estiver preparado e entrar neste mercado vai continuar produzindo e comercializando o etanol, mas com a vantagem de gerar um outro ativo financeiro que é o crédito de carbono”, disse ele.

O crédito de carbono, segundo o especialista, está muito relacionado à confiabilidade do sistema de produção. “É isso que permite que o Renovabio tenha um potencial de, de fato, fazer a diferença não só no mercado interno, mas ter uma influência no mercado externo, no sentido de mostrar que esse mercado de carbono é eficiente e real. Para isso era preciso ter uma metodologia de medir isso para poder gerar esse crédito de descarbonização”, afirmou Marcelo.

 Esse crédito de descarbonização, segundo o representante da Embrapa,  é aferido a partir de uma metodologia denominada ‘Análise do Ciclo de Vida’, que faz uma contabilidade ambiental de todo o processo de produção, ou seja, contabiliza tudo do berço a roda, comparando desde a extração do petróleo para gerar a gasolina ou o óleo diesel, até quando ele é colocado no tanque do veículo e queimado, como desde a produção dos insumos que  serão usados para plantar cana, fertilizantes, insumos, etc, até que esse etanol vá para o tanque do carro e seja queimado. Esse comparativo é basicamente o que a RenovaCalc faz.

 A calculadora denominada Renovacalc é quem vai medir e contabilizar tudo, a partir de um conjunto de parâmetros que são importantes e vão influenciar a nota da empresa com capacidade de produção de um biocombustível com menor capacidade de efeito estufa, seja ele produtor ou usina. Ambos, de acordo com a explanação de Marcelo, terão acesso e conseguirão fornecer as informações para efeito de cálculo de eficiência. “A calculadora é um processo de contabilidade ambiental que calcula a nota de eficiência do processo. Para mostrar que meu processo é eficiente, eu tenho que ter a organização das informações. Esse é um ponto importantíssimo do RenovaBio porque ele traz a possibilidade dos produtores também se familiarizarem no sentido de ter um maior controle de seu processo de produção, seja ele usina ou fornecedor de cana. Esse é um ganho que esse processo traz”, explicou a Dra. Nilza Patrícia Ramos, pesquisadora da Embrapa, que junto com Marcelo participou do encontro, em João Pessoa, que reuniu produtores de cana, industriais e pesquisadores de universidades.

Eles explicaram também que a emissão de CO² do combustível fóssil está muito concentrada na queima do motor, porque a extração do petróleo, o refino e a distribuição tem uma emissão de particulados relativamente menor. A grande emissão está na queima dele. O biocombustível é o contrário, pois na queima do veículo a emissão é pequena, a emissão maior está no processo de produção, desde a fase agrícola até a industrial, principalmente, na fase agrícola. E um fator importantíssimo no processo de emissão de gases do efeito estufa pelo biocombustível é a mudança de uso da terra, ou seja, o processo de uso do solo, é onde está a grande emissão da produção de biocombustível, por isso o RenovaBio traz alguns critérios chamados de elegibilidade.

Entre os critérios de elegibilidade, que vão assegurar a emissão de créditos de carbono, destaca-se a necessidade da matéria-prima vir de uma área regularizada. Quem quer entrar no programa deve estar regularizado no CAR. A produção da biomassa que vai virar biocombustível e gerar créditos de descarbonização não pode suprimir vegetação nativa. “Você não pode querer ganhar um crédito de descarbonização numa área que acabou de desmatar. Isso é uma incoerência muito grande porque a maior emissão no caso de biocombustíveis está na origem do uso do solo”, disse Morandi, lembrando que no caso da cana, há ainda um terceiro critério de elegibilidade para que se entre no Programa, que é a exigência do zoneamento agroecológico que evita que se plante cana em áreas inadequadas ao plantio. “Esses três critérios é que asseguram que o processo de produção vai gerar, mais na frente, um indicativo de confiabilidade para que se que possa emitir um crédito de descarbonização, que será um ativo financeiro que será comercializado no mercado”, explicou Marcelo.

De acordo com a Dra. Nilza, o RenovaBio é um programa voluntário, com a menor participação possível do estado, que incentiva a sociedade a tomar parte de um processo que interessa ao mundo todo, que vai reconhecer o desempenho destas empresas que vão procurar esse crédito, levando a uma maior eficiência. Mas para participar do Programa é preciso passar por algumas etapas. A primeira é fazer um contrato de certificação de biocombustíveis entre a firma inspetora que vai fazer a auditoria e a usina produtora do biocombustível; segundo essa firma inspetora vai fazer um projeto e explicar como serão os processos à ANP e depois fazer as auditorias in loco (com base em amostragens), e depois das auditorias esses dados serão colocados em consulta pública. “Os dados que estão no RenovaCalc serão públicos para que a sociedade possa verificar que aquela nota não é fraudada.”, disse a representante da Embrapa, lembrando que há várias planilhas que a empresa deverá preencher. Ainda segundo ela, quem vai receber a certificação é a usina, assim como quem vai apresentar todos os dados, já que é ela quem vai ter que contratar o Programa. Entre os dados que terão que ser apresentados, estão a área queimada, qual o consumo de calcário e gesso, quais os fertilizantes usados e combustível utilizado.

Em relação especificamente à produção na Paraíba “as empresas ligadas ao Sindalcool iniciaram na semana passada a preparação para a Certificação do RenovaBio. Com isto, estas empresas terão CBIOs como mais uma receita em dezembro/19 para o início do programa”, destacou Edmundo Barbosa, presidente executivo do Sindalcool.

(Colaboração: Assessoria de Imprensa da ASPLAN)

Etanol e veículos flex-fuel: possibilidade de escolha e a economia efetiva aos consumidores


Por Luciano Rodrigues – Gerente de economia e análise setorial da UNICA

O mercado brasileiro de combustíveis leves apresenta característica única no mundo. Não há outro País com uma frota de quase 5 milhões de motocicletas e 30 milhões de veículos aptos a utilizarem qualquer combinação entre gasolina e etanol hidratado. Lançada em março de 2003, a tecnologia flex-fuel rapidamente se consolidou no Brasil e hoje está presente em 46% das motocicletas e 96% dos automóveis novos comercializados domesticamente.

Associa-se a essa singularidade, o pioneirismo brasileiro no desenvolvimento e uso do etanol combustível, com vasta experiência na produção, além de logística de distribuição e infraestrutura que garantem a oferta do biocombustível nos postos revendedores em todo o território nacional.

Essas características oferecem ao consumidor brasileiro uma opção privilegiada: a possibilidade de escolher o combustível desejado a cada abastecimento, dependendo do preço relativo dos produtos e de suas preferências. Trata-se de uma condição que não encontra paralelo em nenhuma outra nação do globo.

A possibilidade de escolha garante maior competição e, a partir de mecanismos de mercado, reduz o risco de preço dos combustíveis aos proprietários de veículos flexíveis. Dito de outra maneira, essa condição oferece uma proteção estrutural ao consumidor diante das variações no valor da gasolina.

Os preços do etanol e da gasolina no mercado doméstico são determinados por inúmeros fatores inerentes as particularidades de cada setor. No caso do etanol, se destacam a estrutura produtiva pulverizada e competitiva, o maior tempo de resposta da oferta, o impacto de fatores climáticos e biológicos na produção, a sazonalidade da oferta durante os períodos de safra e entressafra, entre outros aspectos presentes nos mercados de commodities agrícolas. A gasolina, por sua vez, apresenta valor definido a partir de uma estrutura altamente concentrada, com influência das mudanças na taxa de câmbio e nas condições no mercado internacional de petróleo, especialmente após a nova política de preços praticada domesticamente.

É nesse contexto complexo, com múltiplos fatores inter-relacionados determinando os preços dos produtos, que o consumidor nacional pode aproveitar as variações nos valores de bomba para auferir economia em seus gastos com combustíveis. Aproveitando-se dessa dinâmica, o proprietário de veículo flex pode optar pelo biocombustível toda vez que o preço relativo entre hidratado e gasolina for inferior ao diferencial de rendimento dos dois produtos (razão entre a quantidade de quilômetros percorridos com cada combustível).

Com efeito, em 2018 a liberdade de escolha do combustível propiciou uma economia próxima de R$ 6,5 bilhões aos consumidores brasileiros. Essa estimativa considera o menor gasto por quilômetro rodado toda vez que o preço do etanol hidratado se situa abaixo de 73% do valor praticado para a gasolina – estudos de campo indicam que esse percentual reflete o diferencial médio rendimento dos combustíveis na frota nacional operando em condições reais.

Em 14 das 27 unidades da Federação, os consumidores locais usufruíram desses ganhos, com destaque para os Estados de São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e Paraná, que concentraram 98% da economia total (Figura 1). Cabe mencionar que esses Estados representam 55% da frota de veículos leves no País e apresentam uma política tributária que reconhece os benefícios sociais, econômicos e ambientais dos biocombustíveis.

No acumulado desde 2003, ano de lançamento dos veículos bicombustíveis, a economia advinda da presença do etanol no mercado nacional alcançou quase R$ 65 bilhões (Figura 2). 
Esse montante equivale a 1% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro que deixou de ser gasto com a compra de combustível e foi empregado na aquisição de outros produtos, com efeito multiplicador significativo na ativação da economia nacional.

Esses números evidenciam a importância da preservação e consolidação do etanol na matriz nacional, com economia expressiva aos consumidores de combustíveis, além dos já conhecidos efeitos positivos na geração de empregos, na interiorização do desenvolvimento, na redução dos gastos com saúde pública, na redução do déficit na balança comercial dos derivados e na mitigação das emissões de gases causadores do efeito estufa.


*Coautor José Guilherme de Oliveira Belon, economista pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas). É analista econômico na UNICA e pós-graduando em economia pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Depois do recorde de vendas de etanol em 2018, começa o processo de certificação do produto e chefe-geral da Embrapa Meio Ambiente vem à João Pessoa.

A Paraíba bateu um recorde de vendas de Etanol durante 2018, houve economia para a população de 164 milhões de reais pela disponibilidade de Etanol. Agora começa o processo de certificação da produção.

Nesse processo de certificação para elevação da produtividade e maior competitividade do Etanol em relação a gasolina, o objetivo final é redução de custo do etanol para o consumidor e a garantia de menor emissão de gases de efeito estufa.

Nos dias 06 a 08 de Fevereiro vamos receber em João Pessoa o Chefe Geral da área de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Meio Ambiente, Marcelo Morandi e a Dra. Nilza Patricia Ramos, pesquisadora na já referida empresa. Ambos participam da elaboração do RenovaBio desde o princípio.

Os objetivos da visita são conhecer as empresas sucroalcooleiras interessadas na certificação do Renovabio, e esclarecer dúvidas sobre a calculadora RenovaCalc e o RenovaBio. Para tanto, haverá reunião com Gestores Agrícolas, Técnicos de Ciências da Computação, Gestores da Indústria e com Diretores das Usinas, tendo a participação de Carlos Eduardo Xavier do Agroicone – CEOX com objetivo de orientar o processo de preparação para a Certificação.

De acordo com Edmundo Barbosa, presidente executivo do Sindalcool, “na última reunião será discutida uma proposta técnica organizada pelo Agroicone e CEOX para apoiar as equipes das usinas na elaboração de um plano estratégico em função do Renovabio. Reunimos o que está sendo realizando no Centro-Sul pelo grupo Tereos e outras empresas, pensando em uma organização comum às usinas associadas ao Sindalcool/PB para que possam tirar o melhor proveito”.

                SOBRE O RENOVABIO:

Regulamentações complementares da Política Nacional de Biocombustíveis (mensagem presidencial ao Congresso publicado neste início do ano legislativo):

“Em reconhecimento à importância dos biocombustíveis para a matriz energética nacional, a Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio) objetiva traçar estratégia conjunta para reconhecer o papel de todos os tipos de biocombustíveis na matriz energética brasileira, tanto para a segurança energética quanto para a mitigação de redução de emissões de gases causadores do efeito estufa. Ambas seguem compromissos ratificados pelo Brasil no Acordo de Paris sob a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima.

“O desafio é completar todas as regulamentações necessárias ao pleno funcionamento do RenovaBio, especialmente no que diz respeito ao desdobramento das metas compulsórias anuais em metas individuais para os distribuidores de combustíveis, bem como as regras para as transações dos Créditos de Descarbonização (CBIOs), iniciativa que criará o primeiro mercado de carbono no Brasil. Esse mercado permitirá remunerar os produtores de biocombustíveis a depender do nível da performance energético ambiental do ciclo de vida dos seus processos produtivos, certificados com o auxílio da RenovaCalc”.

A CIÊNCIA ADVERTE QUE DESMATAR A AMAZÔNIA FAZ MUITO MAL AO AGRONEGÓCIO

A bancada ruralista apoia toda e qualquer legislação que ajude a desmatar mais a Amazônia e o Cerrado. Um trabalho que acaba de ser publicado na Nature mostra como e porquê o desmatamento prejudica o próprio agronegócio. Conversando com os pesquisadores, Daniela Chiaretti escreve que “o estudo mapeou o valor de serviços ecossistêmicos da floresta na produção de alimentos (castanha do Brasil), no fornecimento de matérias-primas (borracha e madeira), na mitigação de gases-estufa (absorção e estoque de carbono) e na regulação do clima (avaliando as perdas para soja, pecuária e geração de hidroeletricidade se o volume de chuvas diminuir).” Os números mostrados são sérios. Segundo o professor Britaldo Soares, da UFMG e um dos autores, se as terras não designadas fossem desmatadas, só no estado do Mato Grosso os prejuízos seriam da ordem de R$ 1,3 bilhões por ano. A estimativa é que a floresta Amazônica em pé gere um valor de mais de R$ 30 bilhões todo ano. Existem, hoje, mais de 60 milhões de hectares de terras não designadas, que são terras públicas sem destinação pelo Poder Público e que não são, nem nunca foram, parte de uma propriedade privada. Para Soares, “designar estas áreas significa protegê-las. Poderiam tornar-se florestas de produção, com uso sustentável e sem precisar derrubá-las. Quando se faz a designação destas áreas, assegura-se que elas se tornem um bem comum em vez de deixá-las para a especulação e a grilagem.”

 

Alta de custos afeta resultados das usinas sucroalcooleiras

Por Camila Souza Ramos | Valor Econômico

SÃO PAULO – As usinas de cana do Centro-Sul do Brasil, principal região produtora do país e do mundo, deverão se defrontar, no fim desta safra 2018/19, que terminará em março, com muitos números negativos em seus balanços. A quebra na safra de cana impediu que o segmento diluísse seus custos, que voltaram a crescer nesta temporada enquanto os preços dos produtos vendidos não conseguiram remunerar o custo do capital investido — e, em alguns casos, sequer cobriram o custo para manter as indústrias funcionando.

Pressionados por altas sobretudo dos fertilizantes e do óleo diesel, além do aumento de gastos relacionados à mecanização, o custo médio de produção por tonelada de cana processada subiu acima da inflação de 2018. Considerando o processamento de cana desde o início da temporada, em abril, até 15 de dezembro, o custo médio ficou em R$ 127,41 por tonelada moída, um incremento nominal de 6,86% em relação à média da safra passada. Os dados fazem parte do “Levantamento de Custos de Produção de Canade-açúcar, Açúcar, Etanol e Bioeletricidade”, realizado pelo Programa de Educação Continuada em Economia e Gestão de Empresas (Pecege) em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e com a Organização de Plantadores de Cana-de-Açúcar do Centro-Sul do Brasil (Orplana). No levantamento, foram pesquisadas 88 usinas, que processaram cerca de 200 milhões de toneladas de cana no período. A maior parte dos custos do segmento sucroalcooleiro é fixa, proveniente de colhedoras e manutenção da indústria na entressafra, por exemplo. Segundo o Pecege, na área agrícola, que absorve 70,8% de todos os custos de uma usina, os custos fixos representam 86% do total. A parcela fixa dos custos também é elevada nas áreas industrial (75%) e administrativa (50%). Essa estrutura de custos, portanto, torna imperativo que as empresas busquem maximizar sua produção para diluir o custo relativo. Mas o que acontece nesta safra é exatamente o contrário.

No Centro-Sul, a moagem de cana diminuiu 4% até 15 de dezembro, para 557 milhões de toneladas, segundo dados da União das Indústrias de Canade-Açúcar (Unica). E, conforme Pecege, o volume de cana processada deve fechar a temporada com queda de 4,36%, a 570 milhões de toneladas. Essa redução reflete a seca prolongada no primeiro semestre do ano passado e os baixos investimentos nas lavouras.

“Na safra 2018/2019, o menor volume de cana processada e, consequentemente, a maior ociosidade dos ativos industriais pressionaram os custos de processamento da cana-de-açúcar no período”, ressaltou Haroldo Silva, gestor de projetos de Pecege, em relatório.

As operações de vendas de açúcar foram as mais afetadas, já que os preços da commodity mantiveram-se nos menores níveis em dez anos por causa da sobreoferta global — provocada, em grande medida, pela produção da Índia.

Os preços médios em reais do açúcar VHP não conseguiram superar nem os custos operacionais, que ficaram em média em R$ 967,53 a tonelada. O custo médio total para a produção de açúcar, que inclui depreciação e custo de capital, atingiu, em média, R$ 1.288,40 por tonelada.

Nas últimas dez safras, o açúcar só ofereceu remuneração acima do custo de capital em quatro. A última safra em que a margem líquida média do açúcar ficou positiva foi a 2016/17, quando as cotações dispararam em meio a um déficit de oferta global. Na safra passada, os preços só pagaram os custos operacionais, mas não superaram a depreciação e o custo de capital.

No caso do etanol, a situação foi menos pior. Os preços médios praticados pelo etanol hidratado (o mais vendido nesta safra) até superaram os custos operacionais, mas não chegaram a pagar toda a depreciação dos ativos nem o custo do capital. Enquanto o preço médio até 15 de dezembro ficou em R$ 1.771 por metro cúbico, o custo total de produção ficou, em média, em R$ 2.065 por metro cúbico.

Silva ressalta, porém, que essa análise se trata de uma média a respeito de um setor muito heterogêneo, dado que, enquanto algumas usinas estão na espiral negativa de baixos investimentos, outras têm conseguido manter bons patamares de investimento para reduzir seus custos.

Existem também os casos das usinas que vendem eletricidade cogerada do bagaço da cana. Os negócios de cogeração nesta safra geraram uma receita incremental de R$ 23,9 milhões ao setor, e permitiram às usinas com atuação nessa área encerrar o período com resultados melhores.

Para 2019/20, safra que terá início em abril, o Pecege estima que a produtividade agrícola pode ter “recuperação marginal”, mas que a pressão de custos aumentará devido à expectativa de alta do preço dos agrotóxicos.

Energisa faz campanha contra acidentes na rede elétrica

A eletricidade, ao longo de sua história, recebeu inúmeras ações que promoveram técnicas e medidas de segurança para que o seu manuseio se mantivesse dentro de parâmetros e regras, a fim de se criar premissas e rotinas como modelos e padrões para o seu uso e manuseio seguro. Mas, mesmo assim, tais ações não conseguem evitar que pessoas morram ou fiquem gravemente feridas por todo o mundo, seja pelo desconhecimento básico ou falta de informação, seja pela omissão ou não compromisso de todos os envolvidos na imensa cadeia elétrica e energética.

A grande maioria de acidentes envolvendo terceiros (população) relacionado ao setor de distribuição de energia elétrica tem a ver com a construção civil (manuseio e movimentação de ferragens e instalação/manutenção de calhas metálicas) e também com a atividade de empinar e resgatar pipas presas aos fios da rede elétrica, em especial, em linhas de alta tensão – 13.800 Volts ou superior. Essa fiação é fixada na parte mais alta dos postes e também a de maior risco se em contato com o ser humano.

Quando o assunto é conscientização sobre os riscos e perigos da eletricidade, o descaso e desconhecimento ceifa muitas vidas em segundos. As consequências destes acidentes são irreparáveis, tanto do ponto de vista pessoal como material. Em 2017 houve um aumento considerável de acidentes e de mortes, apurado pela Abracopel (Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade).

As empresas distribuidoras de energia elétrica buscam, por meio de ações assertivas, envolver seus usuários usando palestras, campanhas e outras parcerias com o objetivo de diminuir os números de acidentes, muitos deles fatais, em suas áreas de concessão. As entidades do setor elétrico e energético também buscam levantar questões que possam atenuar esses números. Mas, essencialmente, somente o engajamento de todos possibilitaria uma efetiva diminuição no número de mortes de pessoas por acidentes de origem elétrica.

Confira a campanha da Energisa de conscientização da população para evitar acidentes na rede pública de energia:

CONCENTRAÇÃO DE CO2 NA ATMOSFERA É A MAIS ALTA EM 3 MILHÕES DE ANOS

O boletim da Organização Meteorológica Mundial diz que a concentração média global de CO2 na atmosfera chegou a 405,5 ppm. As concentrações de metano e óxido nitroso também subiram. A pior notícia foi o reaparecimento de CFC-11 que destrói a camada de ozônio, um poderoso gás de efeito estufa e que tinha sumido pelos esforços dos países em cumprir com o Protocolo de Montreal. Suspeita-se que essa família de gases vem sendo usada, sem controle, na China. O boletim ainda chama a atenção para o aumento do “forçamento radiativo” que é o indicador da influência do aquecimento da atmosfera no clima. De 1990 para cá, esse forçamento aumentou 41%. Petteri Taalas, secretário-geral da Organização, disse que “a última vez que a Terra viu uma concentração de CO2 parecida, foi entre 3 e 5 milhões de anos atrás, quando a temperatura era 2 a 3oC mais alta e o nível do mar era 10 a 20 metros mais elevado do que hoje.”

Presidente do Sindalcool PB concede entrevista sobre taxa de importação de etanol em 2019.

Camex deverá voltar a taxar o etanol dos EUA em 20% em 2019 e o Nordeste busca trégua nas compras com produtores-importadores do C-S. Edmundo Barbosa explica o significado disso para o mercado interno de etanol.

No dia 11/12/18 o presidente do Sindalcool foi entrevistado ao vivo pelo Notícias Agrícolas e entre outros dados informou que sem a tarifa de importação o etanol importado aumentou bastante, chegando a mais de 1,5 bilhões de litros em 2018, o que gera certa preocupação entre os nossos produtores de etanol de cana. Em 2019 a taxa de importação deverá voltar. Diante disso, qual a expectativa para o mercado interno?

Confira essa e outras informações importantes para o setor no áudio da entrevista no link a seguir:  https://www.noticiasagricolas.com.br/videos/sucroenergetico/226714-camex-devera-voltar-a-taxar-o-etanol-dos-eua-em-20-em-2019-ne-busca-tregua-nas-compras-com-produtores-importadores.html#.XBlO74tKjIW