Sindalcool-PB participa de conferência internacional DATAGRO

Abertura da 24ª Conferência Internacional DATAGRO sobre Açúcar e Etanol

Nos dias 21 e 22 de outubro, o Sindicato da Indústria de Fabricação de Álcool no Estado da Paraíba (Sindalcool-PB) esteve presente na 24ª Conferência Internacional DATAGRO sobre Açúcar e Etanol, realizada em São Paulo. O evento, um dos mais importantes do setor sucroenergético, marcou nesta edição a comemoração dos 100 anos de etanol no Brasil, reunindo aproximadamente 1.500 participantes, entre autoridades do governo, cientistas, empresários, executivos de usinas, entidades do setor sucroenergético, empresas dos setores de energia, transporte e insumos agrícolas, jornalistas e outros. 

 

Representando a Paraíba, estavam presentes membros do Sindalcool-PB, além de técnicos e colaboradores das usinas de etanol, o presidente da Federação das Indústrias do Estado da Paraíba (FIEP), Cassiano Pereira, o vice-presidente da Associação de Plantadores de Cana da Paraíba (Asplan), Pedro Campos Neto, o deputado federal Hugo Motta (Republicanos-PB)  e o deputado estadual Tovar Correia Lima (PSDB-PB).

Durante a abertura do evento, o deputado Hugo Motta destacou em seu discurso a importância do setor de etanol para o Brasil, especialmente no contexto da transição energética.

 

100 anos de etanol no Brasil

A conferência celebrou o marco dos 100 anos do etanol no Brasil, com homenagens a figuras e entidades que se destacaram ao longo das décadas na defesa e desenvolvimento do setor. 

O engenheiro químico Salvador Pereira de Lyra foi lembrado como pioneiro, por ter realizado a primeira experiência com o uso do etanol no Brasil, na Usina Serra Grande, em Alagoas, na década de 1920. Esse feito culminou no lançamento do Programa Nacional do Álcool (Proálcool) nos anos 1970, cujas bases foram idealizadas por Lamartine Navarro Filho, outro homenageado do evento.

Sob a condução do presidente da DATAGRO, Plínio Nastari, foram homenageados empresários como Maurílio Biagi Filho, Henrique de Amorim, e Otávio Lages Siqueira Filho; além de entidades e empresas como Copersucar, Unica, Bioenergia Brasil, CNI, CTC e Anfavea. 

O poder público também foi representado, com homenagens ao Ministério da Agricultura, ao presidente da Câmara dos Deputados Arthur Lira, ao ministro da Defesa José Múcio, ao deputado Arnaldo Jardim, ao deputado Zé Vitor e ao senador Fernando Dueire.

No painel de líderes do setor, Edmundo Barbosa, presidente do Sindalcool-PB, foi um dos agraciados com o troféu “100 Anos de Etanol no Brasil”. Ele dedicou a premiação às indústrias do setor na Paraíba e ressaltou a importância do “Combustível do Futuro” e do programa RenovaBio.

 

Painéis técnicos abordam bioeletricidade, segurança energética e incorporação de carbono no solo

A conferência apresentou cerca de 20 horas de conteúdo técnico, com destaque para temas fundamentais do setor. Um dos painéis de destaque foi “O Papel da Bioeletricidade Para o Equilíbrio do Sistema Interligado”, mediado por Newton Duarte, presidente da Cogen, e com a participação de Luiz Otávio Koblitz, diretor da Koblitz Energia.

Koblitz ressaltou a importância de expandir o uso da biomassa no Brasil, destacando seu potencial imediato para fortalecer a segurança energética, complementando as fontes renováveis como solar e eólica, especialmente nos horários de pico de consumo, após as 18h. Ele também destacou que, em 2023, 89,2% da matriz energética brasileira foi composta por fontes não emissoras de gases de efeito estufa, como hidrelétricas, solar, eólica e biomassa.

No painel sobre incorporação de carbono no solo, especialistas discutiram como usinas e produtores estão reaproveitando o carbono gerado na produção de etanol, tanto de milho, quanto de cana-de-açúcar, para ser utilizado no solo das plantações. Essa prática visa aumentar a sustentabilidade e reduzir ainda mais a pegada de carbono da cadeia produtiva.

 

Silvia Yokoyama (CTC) destacou que esse processo é altamente eficiente e resulta em plantações mais produtivas e de melhor qualidade. No entanto, ela apontou a necessidade de maior apoio estatal para impulsionar o crescimento do setor, enfatizando a importância de compreender o complexo genoma da cana-de-açúcar e desenvolver soluções para os desafios que afetam os canaviais.

Marcelo Morandi (Embrapa) sublinhou a importância do reconhecimento global de produtos sustentáveis que geram carbono negativo, sugerindo incentivos fiscais ou valorização no mercado internacional como formas de promover essas práticas.

Por fim, Daniel Lopes (FS Fueling Sustainability) enfatizou a necessidade de regulamentação governamental para ampliar a participação do Brasil no mercado internacional e incentivar o uso de tecnologias sustentáveis. Ele mencionou que dois projetos de lei em tramitação na Câmara dos Deputados podem trazer grandes avanços para produtores e outros agentes do setor.