Discurso de Plínio Nastari – 100 anos de pioneirismo com o etanol

* Pronunciamento do Dr. Plinio Nastari na cerimônia de celebração de 100 anos da iniciativa pioneira do álcool na Usina Serra Grande, em Alagoas, em 08 de setembro de 2025.

 

Excelentíssimos Governador do Estado de Alagoas, Sr. Paulo Dantas, neste ato representado pelo Secretário do Gabinete Civil, Sr. Felipe Cordeiro, Senador da República pelo Estado de Alagoas, Sr. Fernando Farias, Diretor do Departamento Nacional de Biocombustíveis, do Ministério de Minas e Energia, Sr. Marlon Arraes, neste ato representando o Exmo. Ministro de Estado de Minas e Energia, Alexandre Silveira, Prefeita de São José da Laje, no Estado de Alagoas, Angela Vanessa, Prefeito de Bataguara, no Estado de Alagoas, Gel Cruz, Presidente da Usina Serra Grande, Dr. Luis Antonio Bezerra, Presidente do Sindicato da Industria de Fabricação do Açúcar e do Álcool no Estado de Alagoas, Vice-Presidente da Novabio, Vice-Presidente da Federação da Industria do Estado de Alagoas, e Coordenador do Conselho do Agronegócio da Confederação Nacional da Industria, Dr. Pedro Robério de Melo Nogueira, Presidente da Federação da Agricultura do Estado de Alagoas, Sr. Antonio Almeida, Presidente da Federação das Indústrias do Estado de Alagoas, Sr. José Carlos Lyra, Presidente da ASPLANA, Sr. Edgar Antunes, Presidente do SINDUSCON-AL, Sr. José Nogueira Filho, Presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria do Açúcar e do Álcool no Estado de Alagoas, Sr. Jackson Lima Neto, Presidente da Bioenergia Brasil, e Presidente do SIAMIG, Sr. Mário Campos Filho, Presidente do Sindicato da Industria de Fabricação do Açúcar e do Álcool no Estado de Pernambuco, Presidente da Novabio, e Vice-Presidente da Federação da Industria do Estado de Pernambuco, Dr. Renato Pontes Cunha, Presidente do Sindicato da Industria de Fabricação do Álcool no Estado da Paraíba, Dr. Edmundo Barbosa Coelho, Presidente da Biosul, Associação dos Produtores de Bioenergia de Mato Grosso do Sul, Sr. Amaury Pekelman, Ilustríssimos familiares, netos e bisnetos do Dr. Salvador Lyra, Sra. Elizabeth Lyra Farias, e seu filho Sr. Carlos Lyra Farias, Sra. Tereza Lyra, e Srs. Ricardo e Guilherme Lyra, Empresários aqui presentes, a quem cumprimento através dos Drs. Eduardo de Queiroz Monteiro, Jorge Petribu, e Jorge Toledo Florêncio,

Demais Autoridades, Senhoras e Senhores,

Estamos hoje aqui reunidos para celebrar os 100 anos de um esforço pioneiro — ato de coragem, ousadia, obstinação e patriotismo. Ação de pioneiros que de São José da Laje, em Alagoas, viria influenciar o mundo inteiro e trazer benefícios inimagináveis à época.

A partir do ano de 1921, num ato de notável ousadia, o Coronel Carlos Benigno Pereira de Lyra e seu filho Dr. Salvador Lyra, através da empresa “Carlos Lyra & Companhia”, na Usina Serra Grande, pesquisaram e desenvolveram um combustível otimizado a base de álcool que visava substituir, com eficiência superior a outras iniciativas, a gasolina automotiva. A principal motivação para tal iniciativa era a crise na indústria e na agricultura canavieira provocada pela retração do mercado internacional do pós-guerra, que culminou na Grande Depressão de 1930. Esse esforço se desenvolveu ao mesmo tempo em que eram levadas a cabo outras iniciativas que se desenrolavam em outras regiões do Brasil e do exterior, nos anos que sucederam a Primeira Guerra Mundial, mas nenhum deles, exceto o conduzido na Usina Serra Grande, obteve resultados práticos e de tanto sucesso como o idealizado e executado em São José da Laje, em Alagoas.
Naquela época, toda a gasolina usada no Brasil era importada, e um combustível nacional significava economia de divisas e principalmente grande alívio à dramática dependência energética que assolava as finanças nacionais, e atrasava o desenvolvimento geral do País.

A busca por sucedâneos à gasolina se desenvolvia também em outros países que buscavam alternativas, muitas das quais baseadas no uso do etanol puro ou em misturas com a gasolina. Na França, houve até um momento de pânico, quando autoridades classificaram as dificuldades em manter o acesso ao combustível líquido uma questão vital para aquela nação. Uma lei de fevereiro de 1923, estabeleceu que o importador de gasolina seria obrigado a comprar mensalmente do Estado um volume de etanol, denominado carburante nacional, correspondente a 10 porcento de toda a gasolina vendida no mês anterior, e que este álcool combustível seria vendido a um preço mais baixo ao consumidor.

No livro “Applicações Industriaes do Álcool”, publicado por Miguel Calmon du Pin e Almeida, e que foi depois ministro da Agricultura, consta o relato de que, em 1922, o Consul norte-americano, C. R. Gamerou, em relato a seu governo, descreveu com admiração que os motores, os automóveis, e as locomotivas das usinas de Pernambuco estavam sendo movimentadas a álcool com perfeita eficiência.

Em julho de 1924, o Cel. Carlos Benigno Pereira de Lyra viria a falecer, achado morto sobre a escrivaninha de seu escritório na usina, e a partir daí assumiu de forma definitiva e decisiva os trabalhos de desenvolvimento o seu filho, Dr. Salvador Lyra. Os testes intensificados a partir de 1925, culminaram com o lançamento, em 1927 na cidade do Recife, do USGA, o combustível à base de álcool da Usina Serra Grande de Alagoas. O empreendimento manteve-se até os primeiros anos da década seguinte com grande êxito em Pernambuco e Alagoas, estados onde sua comercialização atingiu volumes expressivos à época.

A organização em Alagoas de uma nova indústria para a fabricação do USGA despertou o ânimo dos condutores de veículos, que começaram a compreender que não havia só a gasolina para impulsionar os motores. Semelhante sucesso também vieram a desfrutar outras marcas de combustíveis similares, como a Azulina e a Motorina, desenvolvidas após o lançamento do USGA, mas não atingindo o mesmo impacto e adesão do que o USGA. Foi a fórmula da Usina Serra Grande que mostrou os melhores resultados, não tendo seus pioneiros medido esforços nesta busca, dedicando anos de pesquisa e investindo em equipamentos e tecnologia, importando da Alemanha todo o maquinário necessário à realização do empreendimento.

A busca por uma alternativa para a crise da indústria açucareira certamente não foi a única motivação para o desenvolvimento do USGA, embora essa tenha sido a primeira vez em que o etanol desempenhou o papel de atenuante a uma crise no mercado de açúcar. O empreendimento mostrava-se também revestido de caráter patriótico, encontrando forte respaldo e incentivo de diversas autoridades, chegando a despertar grande entusiasmo popular. Essa constatação advém não somente de fatos que reforçam a existência da motivação patriótica, mas também da busca da administração da usina, liderada pelo Dr. Salvador Lyra, pelo bem-estar social, a pioneira preocupação ecológica, e a busca constante por atualização tecnológica, demonstrados nas seguintes iniciativas: