Hidrogênio ganha força como alternativa sustentável para a transição da matriz energética brasileira

A produção de energia elétrica para sistemas isolados no Brasil, a partir de fontes renováveis como energia solar, eólica, hidrelétrica e biomassa poderá ser uma alternativa sustentável para a matriz energética brasileira, e nesse sentido, está sendo realizada com toda a cadeia de valor do setor de energia brasileiro, até a próxima sexta-feira (25), uma missão organizada pela Câmara de Comércio Brasil-Alemanha do Rio de Janeiro (AHK-Rio) e sua parceira eclareon GmbH.

O presidente do Sindicato da Indústria de Fabricação de Álcool na Paraíba (Sindalcool), Edmundo Barbosa, participa da missão a fim de conhecer melhor as alternativas de financiamento para a produção do hidrogênio verde, a partir do etanol e do biogás. Estas rotas de produção fazem parte da tecnologia de empresas da Alemanha. “As células combustíveis a etanol para a produção de hidrogênio verde em sistemas de geração elétrica, já são uma realidade para a descarbonização”, lembrou. 

         De acordo com relatório produzido pelos organizadores do evento, um Sistema Isolado (off grid) pode ser entendido como o sistema elétrico, que em sua configuração normal, não esteja conectado ao Sistema Interligado Nacional (SIN). 

“No Brasil, existem cerca de 235 localidades com geração isolada, como nos estados do Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia e Roraima, além da ilha de Fernando de Noronha.  Tais sistemas desempenham um papel fundamental no abastecimento de energia elétrica em comunidades e povos isolados, onde aproximadamente 83% da capacidade instalada, que varia entre 1 MW até pouco mais de 20 MW, pode gerar entre 5 e 20 horas de energia elétrica”, informaram os organizadores.

Segundo ainda o relatório, a forma de operação dos sistemas isolados no Brasil é hoje, em 99% dos casos composta por combustíveis fósseis que podem trazer, além do impacto ambiental e climático, um elevado custo de geração, onerando o fornecimento da energia elétrica.

Conforme o documento, no Brasil, as instalações híbridas de baixas emissões vem ganhando cada vez mais relevância nos sistemas isolados. Em 2019 realizou-se de forma inédita um leilão de 294 MW de fornecimento de energia, no qual diferentes plantas híbridas de soluções solar fotovoltaicas, de biocombustíveis e de baterias ganharam a licitação.

O relatório informa que atualmente está em tramitação o Leilão dos Sistemas Isolados 2021, no qual soluções híbridas com fontes renováveis e gás natural são permitidas. Dessa forma, constata-se o potencial para ampliação das instalações híbridas e tecnologias inovadoras que favoreçam um fornecimento de energia mais sustentável nos sistemas isolados brasileiros. 

Segundo ainda o documento, estas tecnologias têm a vantagem de custos operacionais e de manutenção relativamente mais baixos. No entanto, em média, os custos de investimento são maiores, comparados aos sistemas de geração fóssil, além da característica natural da intermitência de alguns recursos renováveis. 

“Nesse sentido, o hidrogênio verde, produzido via processo de eletrólise, pode solucionar questões de intermitência das fontes renováveis, atuando como fonte de energia, vetor para armazenamento energético e meio de combinação com outras fontes sustentáveis, contribuindo assim, para uma baixa ou nula emissão de carbono”, aponta o documento.

A Câmara de Comércio Brasil-Alemanha do Rio de Janeiro (AHK-Rio) e sua parceira eclareon GmbH, em cooperação com a Parceria Energética Brasil-Alemanha, por meio da missão buscam oferecer ao setor de energia brasileiro uma imersão nas principais tecnologias, modelos de negócios e potencialidades do hidrogênio e instalações híbridas em sistemas isolados.