Pessoas com covid-19 que vivem em regiões dos EUA com altos níveis de poluição do ar têm mais chance de morrer da doença do que pessoas que vivem em áreas menos poluídas. Essa é a conclusão de estudo recente conduzido pela Escola de Saúde Pública da Universidade Harvard, divulgado ainda, nesta semana, em artigo do representante da sociedade civil no Conselho Nacional de Política Energética, Plínio Nastari.

Segundo ainda o artigo do conselheiro, este é o primeiro estudo analisando a ligação entre a exposição de longo prazo, à poluição do ar por partículas finas (MP 2.5) e o risco de morte por covid-19 nos EUA. O estudo também analisou mais de 3 mil municípios naquele país, comparando os níveis de poluição atmosférica particulada fina com a contagem de mortes por coronavírus em cada área.

Ajustando para o tamanho da população, leitos hospitalares, número de pessoas testadas para covid-19, clima e variáveis socioeconômicas e comportamentais, como obesidade e tabagismo, os pesquisadores descobriram que um pequeno aumento na exposição a longo prazo ao MP 2.5, leva a um grande aumento da taxa de mortalidade por covid-19.

O estudo descobriu, por exemplo, que alguém que vive há décadas num município com altos níveis de poluição por partículas finas tem 8% mais probabilidade de morrer de covid-19, do que alguém que vive numa região que tem apenas um micrograma por metro cúbico a menos desse poluente.

No artigo de Plínio, ele cita que o estudo sugere que os municípios com níveis mais altos de poluição “são os que enfrentarão maior número de hospitalizações, maior número de mortes e onde muitos dos recursos devem ser concentrados”, conforme revelou a autora principal do estudo, em artigo publicado no The New York Times, Francesca Dominici.

 De acordo com o representante da sociedade civil no Conselho Nacional de Política Energética, o material particulado fino é gerado em grande parte pela combustão de combustíveis fósseis em veículos, refinarias e usinas geradoras de energia à base de carvão e outras energias fósseis.

“Essas descobertas indicam a importância de continuar a impor os regulamentos de poluição do ar existentes para proteger a saúde humana durante e após a crise da covid-19, mas fazendo-o de forma completa, e não parcial. Não adianta pretender controlar em níveis inatingíveis a emissão dos canos de escape, e deixar sem controle a emissão relacionada à geração, armazenamento e distribuição de energia, que precisa ser considerada de forma conjunta”, destacou Plínio Nastari.

Para ele, o desenvolvimento e a aplicação de tecnologias utilizando sistemas de elevada eficiência energética e baixo impacto ambiental devem ser estimulados e fomentados, usando a régua correta. No Brasil, o uso em mobilidade de biocombustíveis em conjunto com combustíveis tradicionais tem sido fator relevante de redução da poluição gerada por material particulado e outros poluentes.

Conforme ainda Plínio, a engenharia nacional desenvolveu tecnologias para utilizá-los de forma eficiente, com grande valor estratégico, econômico e ambiental, que precisam ser valorizadas e intensificadas.

Plínio destacou que a pandemia serviu também para o crescimento da compreensão do valor da qualidade de produtos, entre estes o de energia para transporte, e que políticas públicas nas áreas de energia e meio ambiente têm buscado instrumentos que fomentem o aumento da eficiência energética e o controle da emissão de poluentes de impacto local e global.

“Embora não haja consenso sobre a forma de medir todas as variáveis envolvidas, explicado mais por interesses comerciais do que desafios científicos, cresce o reconhecimento de que se deve medir esses efeitos de forma completa, e não parcial”, relatou Plínio.

Segundo ainda o especialista, em energia para transporte, cresce a percepção sobre a importância do seu impacto na qualidade do ar, afinal esta pandemia, como a gripe espanhola do século passado, trata de deficiência pulmonar que é impulsionada pela poluição atmosférica.

 “Estamos cada dia mais convencidos que as emissões de poluentes têm tudo a ver com a contaminação de doenças ao longo dos anos, principalmente as que acometem o sistema respiratório”, disse o presidente do Sindicato da Indústria de Fabricação de Álcool na Paraíba (Sindalcool), Edmundo Barbosa.

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