No Brasil a colheita mecanizada está quase totalmente resolvida. É certo que não temos ainda uma máquina que colha canas em topografias hostis, como por exemplo, a pernambucana. Também o plantio mecanizado ainda deixa a desejar. O grande entrave é a quantidade exagerada de sementes (mudas), entre 20 a 24 ton/ha, que se deposita no solo preparado, para obter uma brotação satisfatória. O cerne do problema está na danificação massiva de gemas viáveis, que o processo de colheita, transporte e deposição no solo, acarreta. Diante desta nossa realidade, o dr. Luiz Nitsch, engenheiro mecânico e consultor de empresas, nos conta uma situação interessante:

“Por absoluto acaso, numa viagem de férias, passando de carro em uma estrada secundária pelo estado norte-americano da Louisiana vislumbramos, em trabalho de colheita da cana, uma máquina meio esquisita. Interrompemos a viagem, fomos até a beira do canavial e fizemos um sinal para o operador, que parou a máquina. Era um latino, da Guatemala, que depois das nossas mútuas apresentações, nos convidou para acompanhá-lo. E fomos ver a máquina, uma Cameco S-30, monolinha, colhendo cana inteira numa velocidade surpreendente, por volta dos 12 km/h. A cana cortada era depositada no solo, muito bem arrumada, por um descarregador lateral.

“A máquina tinha poucos controles, um volante, ar condicionado e nada de eletrônica embarcada. Além de silenciosa, segundo o operador, ela não enguiçava nunca. Ficamos impressionados com aquela máquina simples e eficaz. A grande vantagem do sistema inédito de limpeza primária, corte de base, descarregamento e arrumação das canas no solo, era o número mínimo de gemas danificadas nos colmos colhidos. Ali eram utilizados três Camecos, na obtenção de mudas para plantio de renovação de canaviais, e duas máquinas de duas linhas, modelo S-32.

“De volta ao Brasil comentamos sobre este inesperado encontro com uma Cortadora de Canas Inteiras, que não danificava as gemas dos colmos colhidos, com nossos clientes sulistas e nordestinos. Somente os nordestinos se interessaram por esta não tão nova tecnologia de obtenção. Assim, os Diretores Bolivar de Mello Neto, Luiz Antonio Bezerra e Frederico Cavalcanti Petribu, nos patrocinaram uma viagem de volta a Louisiana, para garimpar mais detalhes destas máquinas.

“Retornamos mais uma vez aos Estados Unidos, agora acompanhados por engenheiros das Usinas Trapiche, Japungu e São José, para ver as operações de campo de colheita de mudas e seu posterior plantio. Nesta viagem, nos acompanhou também o Empresário Pedro Teston, das Indústrias Teston, produtora dos transbordos de grande porte para cana picada. O Sr. Teston, que é também produtor/fornecedor, buscava uma solução para reduzir o volume de canas utilizadas no plantio. Entusiasta desta tecnologia,  acabou por adquirir uma máquina Cameco S-32, importada para o Brasil. Mas Teston planeja produzi-la no Brasil, já adaptada para as bitolas e espaçamentos tupiniquins. Existe também uma real possibilidade desta máquina, com rodas metálicas providas de pinos cônicos, operar em terrenos de grande inclinação.

“Mas nesta última viagem, tivemos outra agradável surpresa: a Plantadora Mecânica de Canas Inteiras, ainda mais simples e eficaz do que a Cortadora. A plantadora é basicamente um caixote, onde estão as canas inteiras, cuja massa é empurrada contra um molinete rotativo, que “fisga” os colmos, direcionando-os para um alçapão, por onde eles caem organizadamente, nos sulcos de base larga, sobre um canteiro. Os americanos não plantam cana em sulcos profundos e sim sobre sulcos rasos, num canteiro separado por valetas, por onde passa todo o tráfego de cortadoras, plantadoras e por fim a colhedora de cana picada. Todos os fornecedores de cana utilizam no plantio estas Cortadoras e Plantadoras, e menos de 10% deles utilizam a Cortadora de Canas Inteiras para moagem.”

#EuPrefiroEtanol

Dr. Luiz Nitsch é grande entusiasta desta tecnologia

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