A Paraíba ocupa no Nordeste uma posição privilegiada na produção de energia da biomassa derivada da cana-de-açúcar com 102 megawatt, segundo boletim da Empresa de Pesquisas Energéticas do Ministério de Minas e Energia (EPE/MME). O processo é o resultado da energia solar convertida em sacarose e fibra na cana-de-açúcar.

Esta indústria está presente na Paraíba desde o século XVII, fortalece a economia por meio dos produtos, empregos e impostos recolhidos ao fisco.

Hoje, a usina com a biotecnologia é chamada de biorrefinaria, porque tem potencial de extrair produtos com maior valor agregado. A atividade reduz a poluição por absorver gás carbônico da atmosfera no campo e produzir etanol através do processo biológico da fermentação. Essa indústria é reconhecida atualmente por contribuir para o meio-ambiente.

O setor sucroalcooleiro na Paraíba, passou por uma profunda organização há 40 anos através da Associação da Indústria do Álcool do Estado da Paraíba, onde mais tarde essa associação recebeu do governo a carta sindical como Sindicato da Indústria de Fabricação de Álcool na Paraíba (Sindalcool), cujo aniversário, se comemora nesta quarta-feira (16).

O setor sucroenergético paraibano tem grande representatividade na balança comercial como maior exportador por muitos anos, tanto no etanol como com outros produtos no mix dessa agroindústria que movimenta a economia com mais de 65.000 empregos diretos e indiretos, e ainda contribui para a economia de dezenas de municípios paraibanos, além de possuir influência também em regiões do Rio Grande do Norte e de Pernambuco.

De acordo com estatísticas do Ministério da Agricultura (MAPA), nos últimos 40 anos, a Paraíba alcançou um crescimento de 292,3% de cana-de-açúcar moída, 4,5% na produção de açúcar, 521,2% na produção de etanol anidro, 478 % na produção de etanol hidratado e 497,3% nos dois tipos de etanol.

Nos últimos 40 anos, a média anual da produção de açúcar atingiu cerca de 150.000 toneladas, além de ter contribuído com a oferta média de 330.000.000 litros de etanol por ano, um combustível limpo e renovável, também fruto da cana-de-açúcar.

A atividade sucroenergética impulsionou o PIB paraibano, ganhou mercados e hoje se consolida com a marca de uma energia limpa e renovável, graças a organização de sete usinas paraibanas da zona da mata. 

A associação mais conhecida como Sindalcool, é uma pessoa jurídica de direito privado sem fins lucrativos que congrega empresas de toda a cadeia produtiva do setor de açúcar e biocombustíveis com operações na Paraíba. Assim, coordena, representa e defende os interesses de seus associados quanto ao desenvolvimento do setor e do mercado de energia limpa e renovável no Brasil, promovendo e divulgando a utilização dos biocombustíveis na região e no País, e ainda contribui para a harmonia e a produtividade em todo o arranjo produtivo da cana.

Para o presidente executivo do Sindalcool, Edmundo Barbosa, o setor poderá aumentar a capacidade de geração de energia elétrica nos próximos anos. A bioeletricidade, como é chamada a energia produzida com o vapor do bagaço da cana, é uma energia limpa e renovável, advinda da moagem da cana-de-açúcar e do aproveitamento da palha com a colheita mecanizada, hoje 60% do total.

Cada tonelada de cana-de-açúcar moída na fabricação de açúcar e etanol gera, em média, 250 kg de bagaço e 200 kg de palha e pontas. Com alto teor de fibras, o bagaço de cana, desde a revolução industrial, tem sido empregado na produção de vapor e energia elétrica para acionar motores elétricos na fabricação de açúcar e etanol, garantindo a autossuficiência energética das usinas durante o período da safra.

Mas além de atender as necessidades de energia das usinas, desde a década de 1980, o bagaço tem permitido a geração de excedentes de energia elétrica que são fornecidos para o sistema elétrico brasileiro, e a indústria na Paraíba também contribui com 56 megawatt médio (MW médio), onde 1 MW médio/ano corresponde a 8.760 MW médio/ano (energia média no intervalo de tempo considerado), uma energia firme 24 horas por dia,  complementar e imprescindível para a expansão das outras fontes renováveis como a eólica e a energia solar que dependem dos ventos e do sol.

A entidade que representa o setor sucroenergético na Paraíba, mostra dados significativos de 2018, quando 82% da bioeletricidade que foi fornecida ao Sistema Interligado Nacional (SIN) foi produzida pelas usinas do Estado a partir da cana-de-açúcar.

No Brasil, a bioeletricidade ofertada para a rede pelo setor sucroenergético foi de 21,5 mil gigawatt-hora (GWh). Trata-se de uma geração equivalente a abastecer de energia elétrica 11,4 milhões de residências ao longo do ano, além de ter evitado a emissão de 6,4 milhões de toneladas de CO2, estatística que somente é possível com o cultivo de 45 milhões de árvores nativas ao longo de 20 anos.

O Sindalcool apoia a iniciativa que se tornou referência nacional no esclarecimento dos consumidores, revendedores e frentistas sobre mitos e verdades do etanol através do site coompleta.com 

Para Edmundo Barbosa, a geração da energia elétrica com a cana-de- açúcar precisa ser melhor valorizada no leilões do Governo Federal a fim de possibilitar novos investimentos, e as usinas da Paraíba avançarem para a internet das máquinas, maior conectividade no campo, ofertando sempre previsibilidade e confiabilidade em razão de suas contribuições para a sociedade.

O dirigente sindical ainda argumenta que, 2020 foi o ano da valorização do álcool no Estado com doações das usinas para o sistema de saúde que já superaram 60 milhões de litros, além da identificação da poluição do ar como risco maior para as doenças cardiorrespiratórias.

“A prontidão das usinas tornou possível durante a fase inicial da pandemia o abastecimento da rede de saúde, tanto nos municípios como no Estado, além do pleno abastecimento do etanol nos postos revendedores de combustíveis, sempre com condições mais vantajosas aos consumidores”, completa Edmundo Barbosa.

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