Stellantis retoma projeto de veículo a etanol para o mercado brasileiro

Segundo CEO Antonio Filosa, ter um modelo na oferta movido apenas com este combustível faz sentido, ainda que dependa da capacidade produtiva da montadora

 

A Stellantis está trabalhando em projeto que envolve propulsão veicular movida exclusivamente a etanol. Na quinta-feira, 20, durante lançamento da Ram House, em Goiania (GO), o CEO Antonio Filosa contou que a companhia “desengavetou completamente o projeto do carro a etanol”.

A montadora é uma das defensoras da expansão do uso do biocombustível na frota circulante, como uma espécie de ponte que levará o mercado nacional até uma oferta puramente eletrificada no futuro. Volkswagen e Toyota fazem coro ao ponto de vista. General Motors e Ford, por sua vez, divergem.

A defesa do etanol como importante agente redutor de emissões de CO² aqui no Brasil vem de longe. Há seis anos, em sua última visita ao país, Sergio Marchionne, o então CEO da FCA, uma das empresas que deu origem à Stellantis, já mostrava em que lado da discussão a empresa estava.

“Meu conselho: não comecem a criar coisas que não precisam, foquem na produção de etanol”, disse à época o executivo, durante a derradeira passagem pela fábrica de Goiana (PE) — quatro meses após o compromisso na região, o executivo faleceu.

Marchionne se foi, mas o legado ficou. E de acordo com Filosa, manter um veículo movido a etanol na oferta da Stellantis no Brasil é algo que faz sentido.

“Ter um modelo a etanol seria excelente, estamos trabalhando nisso. Depende do que chamamos de go-to-market, e da nossa capacidade. De qualquer forma, não existe hoje nenhum tipo de entrave para produzir um carro a etanol”, disse o CEO da Stellantis.

Na prática, Go-to-Market (ou GTM) é um conceito de marketing que versa sobre a estratégia utilizada para o lançamento e o posicionamento de um produto ou serviço no mercado. É um processo em que a empresa desenvolve um plano de ação detalhado, com os passos necessários para vender.

Foco claro da Stellantis no etanol

Apesar do claro interesse na solução, detalhes técnicos a respeito do motor a etanol, sua aplicação e datas de lançamento passaram longe do discurso do CEO na oportunidade — a empresa está em período de silêncio até o final de agosto.

O que, sim, se sabe, é que a montadora prepara um grande investimento na região, e que neste horizonte está a produção do seu primeiro veículo híbrido flex. O desenvolvimento do modelo nacional a etanol também pode ser custeado com este recurso. Assim como um modelo compacto Fiat que já está sendo preparado em Betim.

No mais, a montadora segue com agenda de defesa do etanol em diversos setores que julga ser interessantes aos seus interesses em torno do combustível.

João Irineu Medeiros, vice-presidente de assunto regulatórios é importante personagem da companhia neste contexto de divulgação do etanol como agente redutor de poluentes veiculares. Seu papel nesse planejamento também é de longa data, desde os tempos de FCA.

No final do ano passado, foi ele quem apresentou pela primeira vez, em evento na fábrica de Betim (MG), os dados que mostram que um veículo movido a etanol no Brasil pode ser menos poluente do que qualquer veículo elétrico na Europa, considerando as matrizes energéticas de ambos os locais.

Apresentação que foi feita, de forma mais ampla e para mais espectadores, pelo CEO Antonio Filosa, em abril. Na oportunidade, falou sobre o papel do etanol na oferta futura da montadora, sendo combinado com motores híbridos e fazendo parte de células de hidrogênio.

No final de julho, uma outra apresentação será feita pela montadora em Betim a respeito de propulsão híbrida. A ideia ganha forma, e amadurece.

 

Por: Automotive Business

Autor: Bruno de Oliveira

Postado em: 21/07/2023