Hidrogênio verde de etanol: testes do Mirai animam setor sucroenergético do NE
“Ficou famosa em nosso segmento, a metáfora que diz: a molécula de etanol é um cacho de átomos de hidrogênio”, ressalta. Com isso, o líder empresarial, com décadas de atuação na área de bioenergia, deixa claro que o setor, do ponto de vista de matéria-prima, tem tudo para se inserir na cadeia do H2V.
O desafio agora é garantir um processo produtivo 100% limpo em todas as etapas necessárias para quebrar as moléculas do etanol e transformá-la no cobiçado combustível do futuro, seguindo os padrões de homologação internacional que atestam se tratar de H2V – ou seja, produzido com zero emissão.
Além disso, serão necessários investimentos das empresas em tecnologia, equipamentos e logística para o transporte do combustível.
O desafio é grande, mas Renato Cunha acredita que a porta para o futuro – futuro, aliás, é o significado de Mirai, em japonês – está aberta para o setor sucroalcooleiro.
“Entendemos que a fotossíntese caminha para limpar o planeta, notadamente com o protagonismo da cana-de-açúcar e assim da agroenergia, tanto nos veículos 100% elétricos, como nos modelos híbridos flex, por meio do etanol”, afirma.
Usinas locais atentas ao mercado do hidrogênio verde para energia automotiva
Por questões concorrenciais, o presidente do Sindaçúcar não revela a estratégia e os planos da indústria bioenergética pernambucana para o mercado de hidrogênio verde de etanol. “O setor em Pernambuco é sempre atento a novas tecnologias”, desconversa.
“O acompanhamento e a busca por protagonismo estão sempre presentes na prospecção de tecnologias sustentáveis, fundamentais para nosso segmento e para o Brasil como um todo”, acrescenta.
O executivo, apesar da reserva, dá pistas de que a regulamentação é uma das linhas de atuação tanto da Novabio, quanto das industrias locais de açúcar e álcool para viabilizar o mercado de H2V de etanol no país.
“Atuamos junto aos governos e parlamentos, discutindo e procurando incentivar a criação de legislações que reconheçam e promovam tecnologias de produção de energia limpa e o desenvolvimento do marco regulatório é fundamental para essa alternativa energética”, aponta.
Esse marco, aliás, vem sendo cobrado, no Brasil, em diversos setores – empresariais, políticos e na academia – pelo risco de que sua ausência atrase a entrada do país na cadeia global do hidrogênio verde.