Após a paralisação de algumas montadoras e fábricas automobilísticas no início do ano, e mais recentemente, o anúncio do fechamento de uma alemã, destacada no ramo no país, o cenário levanta a discussão da alternativa ou principal opção por uma indústria com veículos movidos aos biocombustíveis. Razões têm de sobra para essa aposta, pois representam quase metade da matriz energética brasileira, com 44,7%, segundo dados do Ministério de Minas e Energia (MME), além disso, são menos poluentes que os combustíveis fósseis e isso assegura mais qualidade de vida para o planeta e as pessoas.

O presidente do Sindicato da Indústria de Fabricação de Álcool na Paraíba (Sindalcool), Edmundo Barbosa, defende o trabalho do setor sucroenergético para evitar a destruição da indústria brasileira de automóveis movidos à combustíveis fósseis, por modelos que possam usar os biocombustíveis com células combustível, capazes de permitir a eletrificação da mobilidade a partir do aproveitamento do hidrogênio contido no etanol.

Ele ainda argumentou que, essa tecnologia portadora de futuro, permite o máximo aproveitamento do etanol e máxima eficiência energética, evitando despesas de abastecimento com energia elétrica, o que tornaria as contas de energia elétrica da população muito mais elevada. “É preciso cuidado e evitar falsas promessas, porém algumas montadoras de veículos no Brasil já contam com projetos com esse objetivo de aproveitar melhor o etanol. Um veículo que faz 600 quilômetros com 30 litros de etanol sem emissões nocivas é a meta a ser alcançada”, lembrou.

“O fechamento da fábrica da Mercedes indica a aceleração da mudança do paradigma energético. Carro elétrico significa desemprego e destruição da indústria nacional, é óbvio. Por isso, temos que trabalhar de forma obsessiva, pela eletrificação a biocombustível. O Brasil conta com 44.000 postos do biocombustíveis etanol, rico em hidrogênio e sem os custos pesados de baterias e mesmo da recarga de energia elétrica”, afirmou o professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Dr. Gonçalo Pereira.

A volta das discussões por atitudes sustentáveis, chamada de “Retomada Verde” traz à tona a necessidade urgente do cuidado com o meio-ambiente versus saúde da população, após a pandemia do Covid-19 e já reverbera a tese de estudos que os óbitos em certas regiões do mundo tem correlação com os níveis de poluição do ar.

Muitas nações voltam a atenção e agora execução do Acordo de Paris, para diminuir o aquecimento global e já se movimentam nessa direção como a China, ao decretar que a partir de 2035, metade dos veículos novos será movida a “energia nova”, e o Reino Unido vai aumentar as pressões para que a proibição da venda de veículos movidos a combustíveis fósseis seja antecipada para 2030.

O movimento por uma matriz energética limpa e renovável segue por outros países, como a Noruega que tem como meta eliminar veículos novos à diesel e à gasolina até 2025. Na União Europeia: Alemanha e França definiram 2040 como prazo final para a venda de veículos novos a gasolina e diesel. Bélgica, Irlanda e Países Baixos fixaram como prazo 2030.

Na “Retomada Verde”, o Japão estuda a proibição a partir de 2030. O primeiro-ministro Yoshihide Suga promete que até 2050 as emissões de CO2 serão reduzidas a zero.

Nos Estados Unidos por exemplo, o governador da Califórnia Gavin Newsom anunciou no último mês de setembro, que até 2035, será proibida a venda de carros novos a combustíveis fósseis. Por sua vez, autoridades de 38 cidades que compõem o Grupo C40 se comprometeram a banir até 2025 as emissões de gás carbônico no setor de transportes urbanos (ônibus e vans).

Enquanto isso no Brasil, o legislativo nacional deu sinais no início do ano que não vai ficar omisso nessa agenda. Se uma andorinha só não faz verão, a discussão do tema ganhou voz esse ano pelo senador nordestino Ciro Nogueira (PP-PI).

Na intenção de contagiar com seu entusiasmo, o parlamentar apresentou o Projeto de Lei 304/2017 ao propor que carros novos movidos a combustíveis fósseis deixarão de ser vendidos no Brasil a partir do dia 1º de janeiro de 2030, e veículos a gasolina ou a diesel nem mesmo poderão circular no país a partir de 2040.

Segundo o texto do projeto de lei, a mudança será possível porque já existem soluções tecnológicas que permitem a substituição integral da gasolina e do diesel, com os biocombustíveis e a eletrificação da mobilidade uma tendência no mundo.

A principal intenção do Projeto de Lei é diminuir o uso de combustíveis fósseis, responsáveis por 1/6 das emissões de dióxido de carbono na atmosfera e, consequentemente, estimuladores do aquecimento global.

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