De acordo com a Agência Nacional de Petróleo (ANP), o preço médio da gasolina
subiu pela 8ª semana seguida no Brasil. As constantes altas do combustível são
motivo de queixas frequentes por parte dos consumidores, que estão tendo que
arcar com o preço da gasolina. Segundo pesquisa divulgada ainda nesta semana
pela ANP, o preço médio da gasolina comum na Paraíba está em R$ 5,943.


O governo federal não tem nenhum projeto concreto na direção de reduzir a mistura,
informam fontes do Ministério das Minas e Energia e da Agência Nacional do
Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis ANP. Com o cenário de inflação crescente,
o Sindicato da Indústria de Fabricação do Álcool no Estado da Paraíba
(Sindalcool-PB) destaca que o etanol anidro, aquele adicionado à gasolina na
proporção de 27%, permite melhor aproveitamento do petróleo na produção da
gasolina pelas refinarias por elevar a octanagem. O preço do petróleo no mercado
internacional é o responsável pelo encarecimento do preço dos combustíveis, como
sugeriu o presidente Jair Bolsonaro em uma live que aconteceu no dia 23 de
setembro nas redes sociais.
O Sindalcool-PB também reforça que uma possível diminuição percentual do anidro
à gasolina teria pouco ou nenhum impacto na redução do preço final desse
combustível nas bombas. E, por esta razão, não será adotado porque geraria maior
desemprego.


Na composição final do preço médio da gasolina C, além do etanol anidro, há os
demais custos, como os impostos, as margens da distribuidora e de revenda nos
postos e os custos logísticos. Na Paraíba, o estado recebe R$1,7353 de cada litro
no abastecimento de gasolina. No etanol o Governo da Paraíba arrecada R$1,2467
por litro consumido.


Segundo o consultor Geraldo Lucena, com o barril de petróleo Brent batendo os
$80,00, não há outra opção a não ser reajustar os preços dos combustíveis. “O
diesel já apresenta defasagem de R$ 0,4250 e a gasolina agora R$ 0,2250”, disse
Lucena.


O presidente do Sindalcool-PB, Edmundo Barbosa, ressaltou a contribuição do
anidro à gasolina. “O etanol contribui para redução do preço final da gasolina ao
consumidor. As usinas, na Paraíba e no Nordeste, estão trabalhando a plena carga
para a máxima produção do etanol a fim de suprir o mercado e também estão
comprometidas com o sucesso da agenda positiva do Governo Federal. As
empresas incentivam o combate à sonegação e todas as formas de concorrência
desleal e que possam causar perdas aos estados e aos consumidores”, disse o
dirigente.


A projeção da safra 2020/2021, as usinas de etanol da Paraíba aumentaram a
produção de etanol anidro em 16% em relação às safras anteriores, o que
demonstra o comprometimento e responsabilidade dessas empresas com o
abastecimento nacional.
Consultoria aponta como redução do percentual de anidro não reflete em
preço da gasolina.


Dados divulgados no relatório “Qual seria o impacto no preço da gasolina ao
consumidor caso houvesse uma redução na mistura de etanol anidro à
gasolina no Brasil?”, confeccionado pela consultoria agrícola (DATAGRO), e
divulgado no dia 28 de setembro, mostra como a redução de etanol anidro seria
irrisória no estado de São Paulo.
Neste exemplo, caso fosse tomada hoje a redução da mistura de 27% para 18%, o
preço médio da gasolina C ao consumidor em São Paulo cairia apenas 0,6% na
bomba, de R$ 5,775/litro para R$ 5,742/litro.


A consultoria ainda aponta que, “em média, uma redução de 1 ponto percentual na
mistura poderia implicar em uma queda de 32 milhões de litros na demanda de
etanol anidro por mês, cujo volume seria basicamente substituído pela importação
de gasolina”. O resultado seria um dispêndio adicional ao País de US$ 157,27
milhões de dólares por mês com importação de gasolina.
Adição de anidro à gasolina preserva saúde e meio ambiente


O Brasil lidera a redução de emissões nos transportes através do programa
RenovaBio implantado em 2020 para aumento dos investimentos e redução do
preço do etanol ao consumidor. Outro ponto essencial da importância do etanol
anidro adicionado à gasolina são os benefícios que essa mistura representa. Graças
ao etanol, o Brasil foi o país pioneiro na eliminação do chumbo tetra-etila, usado
para elevar a octanagem, mas que é considerado venenoso e traz sérios danos à
saúde, como o saturnismo e a contaminação cerebral de crianças.
O etanol anidro também substitui os compostos químicos aromáticos cancerígenos
na composição da gasolina, como o tolueno. Além disso, o etanol não gera emissão
de material particulado, um elemento poluente também muito danoso à saúde
humana.

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